Copa ofensiva

Vejo com bons olhos o que vem acontecendo nessa Copa do Mundo. Várias seleções estão utilizando o sistema 4-3-3 com um novo conceito, que é o de três atacantes natos, muito diferente do sistema que usava pontas.

Vanderlei Luxemburgo, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2014 | 02h03

As seleções do Brasil, Alemanha, França e algumas outras estão usando esse esquema, deixando a equipe bem mais ofensiva. Alguns consideram 4-2-3-1, mas entendo ser mesmo o 4-3-3. Outra coisa importante é o sentido de marcação começando pelos atacantes, que aprenderam a marcar, mostrando a evolução coletiva.

O sistema permite defender com no mínimo sete jogadores e atacar na mesma proporção. Dessa forma, já não há mais necessidade de se jogar com dois zagueiros e três volantes ou dois volantes e três zagueiros.

Vitória. Uma vitória importante contra a seleção de Camarões, com placar elevado e Neymar jogando em alto nível, como joga um verdadeiro craque. Não podemos esquecer que foi um jogo contra uma seleção fraca, sem motivação, cheia de conflitos internos, criados antes e durante a competição.

Ainda assim, no primeiro tempo o Brasil deu ao time de Camarões algumas possibilidades que não podem ser oferecidas a uma equipe de melhor qualidade adiante. A seleção jogou com muita disposição, sabendo da importância que tinha o jogo, e com isso construiu uma grande vitória.

Algumas observações que pude anotar: Daniel Alves precisa de ajuda, dobrando a marcação, já que se mostrou vulnerável quando teve de ficar mano a mano.

Oscar teve uma participação importante no jogo, o passe para o gol do Fernandinho. Embora seja um jogador de muita qualidade, na posição que ocupa na equipe é necessário que ele tenha muito mais participação no jogo, colocando seu talento à disposição da equipe.

Isso porque, se alguma equipe fizer a marcação individual e forte no Neymar, é necessário que outro jogador chame a responsabilidade, e esse atleta é o Oscar.

O gol sofrido pela seleção mostrou a mesma deficiência apresentada no jogo contra a Croácia, na primeira rodada. Faltou um posicionamento do Julio Cesar com os zagueiros, na marcação da diagonal da bola.

A entrada do Fernandinho deu mais mobilidade e qualidade ao meio-campo. Felipão, com sua capacidade e conhecimento pleno dos jogadores, vai saber definir qual o momento certo de mudança na equipe ou não.

Calor. A Itália sofreu muito com a alta temperatura nos locais dos jogos, principalmente nos jogos no Norte e Nordeste à uma hora da tarde. Como achei que ocorreria, passou o Uruguai e é aí que mora o perigo. A garra e a determinação dessa seleção poderá novamente levá-la a ter um bom caminho na competição.

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