Copa, Olimpíada... o que é isso?

Peter Dale é jornalista inglês. Trata-se daqueles profissionais experientes, que trazem no currículo diversas coberturas de Copa do Mundo e Olimpíada. Peter tem um costume que considero muito saudável. Eles visita, anos antes, os países que organizarão os dois principais eventos do planeta. Como os Jogos de 2012 ocorrerão em sua terra Natal, o amigo inglês decidiu se antecipar e viajar para a sede da edição de 2016. E se deparou com situação atípica. Ao contrário do que normalmente acontece, ele precisaria fazer apenas uma viagem, uma vez que o Brasil será o centro das atenções internacionais por receber, com apenas dois anos de intervalo, as duas competições.

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2011 | 00h00

Apesar de toda experiência e das milhas acumuladas, Peter se mostrou ansioso. Ficou a imaginar o cenário e o clima que encontraria no Brasil. Afinal de contas, um país que se encontra nessa situação deveria estar transpirando Copa e Olimpíada. Não é para menos, pois poucas nações na história tiveram a chance de ficar tão em evidência no cenário internacional. E, claro (pensou Peter, com sua linha de raciocínio primeiro-mundista), os brasileiros se preparam para não decepcionar, para aproveitar bem o momento e se firmar como grande "player" do planeta.

Peter desembarcou por aqui no último fim de semana. Em sua pauta está o agendamento de entrevistas com diversos dirigentes. E lá foi ele, em busca de informações a respeito do processo de preparação do País para apresentar ao mundo a competência brasileira em promover e organizar megaeventos.

Em três dias de tentativas, o saldo de Peter é desolador: zero. Ele não se conformou, entrou em contato com alguns jornalistas brasileiros e descobriu que os cartolas daqui nada têm contra a imprensa estrangeira. Porém, o alívio se transformou em indignação ao descobrir a razão de ninguém atendê-lo: a cúpula do futebol brasileiro está envolvida em uma guerra interna, que envolve dinheiro, sim, mas muita birra pessoal e política. Sim, a três anos da Copa do Mundo, o Brasil não tem aeroportos decentes, alguns estádios não saíram do papel, as linhas de crédito estão enroscadas e os dirigentes de clubes e da CBF gastam sua energia em conflitos domésticos.

Ok, Peter é um personagem criado por esse colunista. Mas seu choque de realidade e o risco de o Brasil passar por um constrangimento histórico são mais do que reais.

Exemplo carioca. O futebol do Rio tem dado uma lição nos últimos tempos. E não é apenas dentro do campo, com o bicampeonato brasileiro (Flamengo, em 2009, e Fluminense, na edição passada). A união mostrada pelos presidentes dos quatro grandes ao anunciarem, em conjunto, o afastamento do Clube dos 13 foi uma lição de civilidade, inteligência e grandeza. A cena é impensável, pelo menos nesse momento, entre os paulistas, que preferem se destruir em picuinhas e choques de vaidade que têm como principais vítimas os próprios protagonistas.

TROCA DE PASSES

"A imprensa, de modo geral, bajula demais o Ronaldo. Todo mundo sabe que ele fuma, bebe e come tudo o que aparece pela frente e vocês caem nessa história de que ele é gordo por causa de uma doença. Balela!"

SIDNEY DALVÉRIO

PAULISTA-PE

Nota da coluna: Caro Sidney, a menos que você seja amigo pessoal do Ronaldo, só sabe de tantos detalhes negativos sobre ele porque foi informado pela mídia. A mesma que você acusa de ser bajuladora. Captou?

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