Gregory Bull/AP
Gregory Bull/AP

Cor, música e inovação marcam cerimônia de abertura do Pan

Festa com as 41 delegações foi organizada pelo Cirque du Soleil

NATHALIA GARCIA - enviada especial a Toronto, O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2015 | 00h21

Os Jogos Pan-Americanos de Toronto estão oficialmente abertos. Cor, música, luzes, pirotecnia e inovação foram os elementos que marcaram a cerimônia de abertura nesta sexta-feira no Rogers Centre. Organizado pelo Cirque du Soleil, o espetáculo usou criatividade nos elementos protocolares. A tocha olímpica chegou ao local no início do evento, painéis de led foram usados na identificação do nome dos 41 países durante o desfile dos participantes e os atletas tinham assentos montados próximos ao palco para assistirem ao restante do show. Eles até tiveram uma participação especial, com luzes de led que mudavam de cor durante as cenas.

Nas arquibancadas eram esperadas 45 mil pessoas, mas notavam-se alguns lugares vagos nos setores inferiores da arena. O ministro do Esporte, George Hilton, acompanhou de perto o evento e levantou quando Thiago Pereira apareceu com a bandeira brasileira, puxando centenas de atletas que vão tentar colocar o Brasil no alto do quadro de medalhas. Outras personalidades também marcaram presença, como autoridades canadenses e dirigentes dos comitês olímpicos nacionais.

A delegação anfitriã foi a última a entrar e, sob aplausos, recebida com muito entusiasmo pelo público. Os integrantes do revezamento 4x100m - Carlton Chambers, Robert Esmie, Glenroy Gilbert e Bruny Surin -, que brilharam nos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996), subiram ao palco. Mas foi Donovan Brailey, dono de duas medalhas olímpicas, que carregou a tocha olímpica para dentro do estádio.

"Do sonho para a realidade" foi o tema central do show, que tentou transmitir a ideia de que os atletas, por meio de seus esforços e conquistas, servem como inspiração para o mundo em busca de heróis e de um futuro melhor.

O ambiente foi inspirado no mundo das primeiras civilizações da região de Toronto com referências culturais aos povos indígenas ancestrais. O layout do palco representava uma tartaruga, cujo casco daria vida à criação do mundo. Para o Cirque du Soleil, os esportistas são uma metáfora da vida, visto que encontram provações e pessoas ao longo do caminho que determinam suas escolhas e seu destino.

A apresentação retratou a história de uma jornada universal através das adversidades em busca sonhos. Para os criadores, o caminho sinuoso dessa viagem foi refletido na geografia e na história do Canadá. As histórias iam se entrelaçando como protagonistas. Os cinco guardiões do pentatlo - dardo, salto em distância, disco, luta e corrida - ganharam vida a cada cena. O brasileiro Wellington Lima representou o personagem Luthus, simbolizando a dúvida que ganha força no momento em que o ser humano começa a fazer as escolhas de seu destino. A apresentação teve começo, meio e fim bem delimitados e uma linha narrativa clara. O público não teve do que se queixar sobre a beleza do espetáculo.

A entrada das bandeiras olímpica e pan-americana ficou sob responsabilidade de personalidades de diferentes áreas de atuação. Bobby Orr, famoso jogador do hóquei no gelo, e o astronauta Chris Hadfield foram alguns dos encarregados de transportar cada ponta das flâmulas.

Juramentos e discursos oficiais deram sequência ao andamento do cerimonial. "Vamos acordar amanhã (sábado) com o início dos Jogos e todos juntos vamos fazer coisas incríveis acontecer", afirmou o diretor executivo do Comitê Organizador do Pan, Saad Rafi. O longo pronunciamento do presidente da Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana), Julio Maglione, teve uma recepção negativa do público, que já ia esvaziando a arena mesmo antes do fim do evento.

O governador-geral do Canadá, David Johnston, decretou: "Esta noite (sexta) eu declaro a 17ª edição dos Jogos Pan-Americanos aberta". Os últimos metros do revezamento da tocha foram percorridos por Charmaine Crooks, Jillian Richardson, Molly Killingbeck e Marita Payne, medalhistas de bronze nos 4x400 m na Olimpíada de 1984, em Los Angeles. Marita passou a chama para seu filho, o jogador de basquete Andrew Wiggins. O ex-atleta Steve Nash, que foi grande jogador de basquete, teve a missão de acender a pira pan-americana. Com a chama acesa, a cerimônia chegou ao fim. A organização bem que tentou, mas foram cerca de 25 minutos de atraso em relação ao tempo total previsto para o evento.

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