Coração na chuteira

A decisão na Fórmula 1 foi bacana, o campeão da temporada surgiu apenas no finalzinho da última prova, em Interlagos, e o título ficou com o piloto que conquistou mais pontos. Perfeito. O tricampeão Vettel manteve-se no topo da categoria graças ao velho e bom método de premiar a regularidade de quem teve pontuação maior ao longo da temporada. Critério justo, racional e aceito sem contestação no automobilismo, mas que vive a receber torpedos no futebol.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2012 | 02h04

A busca por pontos - preciosos, imprescindíveis, salvadores - movimentou quatro jogos da penúltima rodada do Campeonato Brasileiro. Disputados simultaneamente, descontada a diferença de fuso horário, fizeram vazar emoção para cinco torcidas ainda angustiadas com a ameaça de rebaixamento.

No início, estava difícil escolher, tantas as alternativas para quem curte o joguinho de bola. Mas logo o controle remoto ficou a zapear entre Bahia x Náutico e Sport x Fluminense, enrolados, emocionantes, cheios de adrenalina até os segundos derradeiros. A redução ocorreu porque a Portuguesa, valente, desvencilhou-se de nó tremendo, ao fazer 2 a 0 no Inter em Porto Alegre. Tem 44 pontos e briga por mais um no domingo que vem contra a Ponte, no Canindé, para permanecer na elite. Há risco, embora pequeno. O Coritiba perdeu do Cruzeiro, mas com 45, também está salvo.

Pois bem, os duelos no Nordeste foram de tirar o fôlego. O Bahia esteve com a vida resolvida dos 6 aos 33 minutos do segundo tempo, período em que ficou em vantagem, com o gol de Gabriel, em cobrança de pênalti, até levar o empate, marcado por Dimba. Os baianos se desdobraram, pressionaram, foram pra cima. A vitória os aliviava de vez e transformaria a partida com o Atlético, em Goiás, apenas em amistoso. Resta o consolo: como têm 44 pontos, também se resolvem com empate. O Náutico foi a 46 e espantou fantasmas. Pesou em favor do Timbu o retrospecto formidável em casa, onde se mostrou letal.

Pela combinação de resultados, o drama maior ficou para a Ilha do Retiro, no desafio que o Sport topou diante do Fluminense. O campeão nacional saiu na frente, sempre com ele, Fred, o artilheiro. O pernambucanos colocaram o coração na chuteira, empataram instantes antes do intervalo e massacraram na etapa final. Em duas oportunidades o gol da virada esteve escancarado, mas Elivelton e Valencia tiraram em cima da linha. Na última chance, foi Cavalieri quem fez a torcida do Recife sofrer.

Meu amigo, que injustiça esse empate! Salvar uma bola que está a centímetros da linha fatal, ainda vai. É do jogo. Mas duas?!?! De dar dó do povo. O Sport faz clássico com o Náutico e só se livra da degola, quase certa, se ganhar e se Lusa ou Bahia perderem.

Verdes ladeira abaixo. O fim de semana foi desastroso para dois esmeraldinos paulistas: o Guarani, campeão brasileiro em 1978 (em cima do Palmeiras), vacilou no sábado na rodada de encerramento da Série B e despencou para a Terceira Divisão. É mais um degrau que desce por acúmulo de erros estratégicos e de gestão.

E o Palmeiras, ontem, seguiu a sina de afundar-se mais, com o perdão da redundância. Ok, entrou em campo rebaixado e com um monte de novatos, num Pacaembu vazio, para enfrentar o então lanterna Atlético-GO. Conseguiu perder por 2 a 1, a 21.ª derrota em 37 jogos. Uma lástima.

Destaque para os 3 mil e tantos torcedores que foram prestigiar a equipe. Desses se pode falar tudo, menos que não tenham amor incondicional.

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