Imagem Antero Greco
Colunista
Antero Greco
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Coração na mão

Meu amigo, seu time já brigou para não cair? Você alguma vez na vida sentiu o gosto amargo do rebaixamento? Pois bem, só quem provou de angústia, aflição, tristeza – do fel, para ser dramático – da queda sabe o que sentem, neste momento, torcedores de Coritiba, Figueirense, Avaí, Vasco e Goiás. Todos com coração na mão, porque desse quinteto saem os três azarados que se juntam ao Joinville na tropa da Segundona em 2016.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2015 | 03h00

A penúltima rodada poderia ter definido outros degolados na elite, além dos catarinenses do JEC. Mas a sequência de resultados adiou tudo para domingo que vem – quando, assim se espera, as partidas cruciais serão disputadas no mesmo dia e horário. Não pode haver refresco (tampouco purgante) para ninguém. Não se repita a mancada deste fim de semana, em que Figueirense e Avaí jogaram antes dos demais da zona do gargarejo. 

Um dos que seriam prejudicados pela tabela no fim das contas se deu bem, por vias tortas e sem querer. O Vasco deveria pegar o Santos às 17 horas de ontem. O toró que desabou no Rio inundou o gramado de São Januário e a partida foi empurrada para uma hora mais tarde. Desse jeito, sem que ninguém imaginasse, coincidiria com Palmeiras x Coritiba e com Chapecoense x Goiás. Menos mal para vascaínos.

Como a natureza deu uma forcinha inesperada, a turma da Colina tratou de aproveitar um pouco mais. Enrolou para sair dos vestiários e, com isso, ganhou 20 minutos em relação aos jogos em São Paulo e em Chapecó. Inverteu a situação: agora estaria a jogar sabedora do que aconteceu com os outros.

E sofreu pressão, porque o Coritiba bateu o Palmeiras e foi a 43 pontos, assim como o Goiás passou pela Chapecoense e saltou para 38. Ambos com esperança de salvação, assim como Avaí e Figueirense. O peso sobre os ombros dos atletas do Vasco foi enorme e só saiu por malandragem de Nenê e por vacilo do árbitro Pedro Vuaden.

Pouco antes do intervalo, Nenê fingiu que foi atingido pelo goleiro Vanderlei, em disputa na área, o juiz deu pênalti, que Nenê cobrou e transformou em gol. Depois, orou em agradecimento pela graça alcançada. Irregularmente. Estranha noção de religiosidade e ética que têm algumas pessoas. 

O Vasco (40 pontos) não depende só de si na visita ao Coritiba. Terá de fazer a parte dele, torcer por tropeços de Avaí (41) e Figueirense (40), e rezar.

Carimbo na faixa. Sport e Corinthians fizeram em Recife jogo que não mudou a vida de nenhum dos dois. Mas os 2 a 0 tiveram valor simbólico para os pernambucanos, que provaram o gosto de carimbar a faixa do campeão brasileiro. Tite optou por formação reserva, numa apresentação para cumprir tabela, enquanto Paulo Roberto Falcão apelou para força máxima. 

O Sport não tem como ficar no G-4. Com 56 pontos, no máximo chega aos 59 que o São Paulo já tem, mas com número menor de vitórias. Pesou-lhe contra a enorme quantidade de empates (14, líder nesse quesito). O bom resultado, no entanto, serviu-lhe de consolo, pela campanha digna que fez na competição de 2015. 

Surra na bola. O time principal do Palmeiras não anda grande coisa. Por cautela – correta – Marcelo Oliveira decidiu poupar titulares, no jogo com o Coritiba. Afinal, na quarta-feira tem clássico com o Santos que vale taça e influirá no planejamento para 2016. Até aí, tudo bem.

A equipe reserva seguiu a toada da principal e foi um fiasco diante de rival na zona de descenso (0 a 2). Padeceu dos mesmos males que têm tirado o sono dos torcedores: fragilidade defensiva e anemia ofensiva. Pouco ofereceu ao público, que voltou para casa com um pé atrás. E se isso se repetir contra os santistas? 

Reservas ou titulares não importa, há outro dado desalentador: o Palmeiras tem mais derrotas que vitórias – 15 a 14, fora 8 empates. Com 50 pontos, 30 menos do que o campeão, está no meio da tabela. Contratou um monte de gente para isso?

Tudo o que sabemos sobre:
Campeonato Brasileirofutebol

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.