Corinthians, 1º clube a dar chance para detentos

Convênio para a contratação de dois presos do regime semiaberto vai ser assinado segunda-feira

Bruno Deiro, O Estadao de S.Paulo

19 de março de 2010 | 00h00

Autoproclamado "o time do povo", o Corinthians colocará seu prestígio em favor de uma nova causa. Na segunda-feira, o clube do Parque São Jorge assina um convênio pioneiro no futebol, que prevê a contratação de dois detentos que cumprem pena em regime semiaberto no sistema penitenciário de São Paulo.

A vaga para os detentos, que ainda não foram selecionados, será na área esportiva. Possivelmente, serão responsáveis por auxiliar outro projeto de inclusão social, este feito com a Fundação Casa (antiga Febem), que envolverá 100 menores. Às segundas e terças-feiras, o clube cederá suas instalações para a prática esportiva dos adolescentes.

Segundo Rogerio Mollica, assessor da presidência, o Corinthians deve seguir indicação do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo para contratar os dois detentos. Os interessados passarão por seleção nas centrais da Coordenadoria de Reintegração Social e Cidadania.

No primeiro momento, apenas dois serão contratados. "Buscaremos para o projeto aqueles que têm algum tipo de formação em prática esportiva ou educação física", diz Mollica. "O acordo prevê a contratação de detentos do regime semiaberto, que dormem no presídio."

A contratação dos presidiários pelo centenário clube é parte do programa nacional Começar de Novo, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A iniciativa surgiu em outubro do ano passado, em um encontro entre o presidente corintiano Andrés Sanchez e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, ocorrido em Brasília.

No almoço de assinatura do convênio, no Parque São Jorge, estarão presentes Gilmar Mendes e o ministro do Esporte, Orlando Silva, que também confirmou presença.

Projeto pioneiro. O projeto com os detentos ainda não tem data para iniciar, mas o que envolve os garotos da Fundação Casa começa nesta segunda-feira. "Os meninos vão assistir ao treino no Parque São Jorge, conhecerão os jogadores e depois visitarão o Memorial do clube", explica Rogerio Mollica.

Designado para cuidar exclusivamente dos projetos sociais do Corinthians, Mollica garante que a iniciativa com detentos e menores infratores é pioneira entre clubes de futebol do País. "O Corinthians foi uma das primeiras entidades esportivas a apoiar o projeto Começar de Novo", garante o assessor do Alvinegro. De acordo com ele, o contrato de trabalho com os detentos é permanente e oferece salário compatível com a função.

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