Corinthians ameaça processar Roger

Diretoria estuda adotar medidas mais contundentes na Justiça para desestimular a pressão que rivais devem fazer nesse momento de decisão

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2010 | 00h00

Se na frente das câmeras e dos microfones os dirigentes do Corinthians procuram adotar tom tranquilo em seus discursos, longe deles a situação é diferente. O presidente do clube, Andrés Sanchez, ameaça processar jogadores e dirigentes do Cruzeiro pelas acusações feitas após a partida de sábado, que terminou com vitória alvinegra por 1 a 0, gol marcado após pênalti sobre Ronaldo assinalado pelo árbitro Sandro Meira Ricci e duramente contestado pelos mineiros.

O principal alvo da bronca corintiana é o meia Roger. Nos vestiários do Pacaembu, o jogador, que passou pelo Parque São Jorge na temporada 2005, afirmou que conhece o esquema de favorecimento ao Corinthians. "Já estive lá em 2005 e sei como as coisas funcionam no Corinthians. Naquela época não reclamei e agora também não posso reclamar", disse o atleta depois da partida. Roger fez parte do grupo campeão brasileiro daquela temporada.

Os comentários do meia cruzeirense deixaram a cúpula corintiana indignada. Todos insistiram que Sanchez deveria tomar uma providência mais forte, uma vez que, quando passou pelo clube, Roger jogou pouco e recebeu toda a atenção quando sofreu fratura e ficou a maior parte da temporada em recuperação. Tanto que o apelido do atleta no Parque São Jorge, lembram os cartolas, era "chinelinho". Para essa ala, Roger terá de provar o que disse na Justiça.

Sanchez deve se reunir hoje com os responsáveis pelo departamento jurídico para decidir o que fazer. A direção corintiana sabe que o fato de Sanchez ter bom relacionamento com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, e de o time estar na liderança do Brasileiro faz o clube ser o alvo preferido dos rivais.

Nesse ponto está o dilema: ao mesmo tempo que não querem colocar mais lenha na fogueira de uma polêmica que aconteceu no sábado, alguns dirigentes corintianos entendem que o clube deve se posicionar com firmeza para intimidar eventuais ações dos rivais. E uma atitude mais enérgica contra Roger seria um bom passo para conseguir esse objetivo.

Tribunal. Roger não é o único na Toca da Raposa que pode sofrer consequências legais pelas declarações dadas após o jogo de sábado. De acordo com o procurador do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmidt, o presidente Zezé Perrella será alvo de investigação. "Pedi hoje (ontem) as imagens da entrevista para avaliar. Ou ele prova que o árbitro é safado, ou correrá o risco de ganhar uma punição pesada", disse.

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