Corinthians aposta em sua tradição

Elenco e Andrés Sanchez lembram que as grandes vitórias do time foram obtidas enfrentando situações adversas

Fábio Hecico, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2010 | 00h00

Cinco anos depois da conquista do tetracampeonato brasileiro, o Corinthians retorna ao palco daquela volta olímpica, o Serra Dourada, em Goiânia, para encarar o mesmo Goiás, com chance de nova conquista. Mas o cenário é bem diferente da época em que contava com os galácticos Tevez, Mascherano, Roger e Carlos Alberto e podia até perder para erguer a taça, o que aconteceu num 3 a 2 para os donos da casa. Hoje, a partir das 17 horas, o Alvinegro entra em campo obrigado a vencer e ainda com olhares para o Rio, onde o líder Fluminense não pode bater o rebaixado Guarani. Ganhar significa ter chances de soltar o grito de campeão ou, na pior das hipóteses, garantir o segundo lugar e escapar da repescagem da Libertadores de 2011 diante do terceiro representante da Colômbia.

A tarefa corintiana no Serra Dourada deve ser facilitada. De um lado, o técnico Tite conta com todos os titulares, enquanto o Goiás, já rebaixado e de olho na decisão da Copa Sul-Americana, adiantou a escalação do time com reservas e juvenis. Restaria, então, esperar pela ajudinha de um Guarani desanimado, cheio de desfalques e sob pressão da própria torcida para não buscar nem o empate diante do Flu.

"As conquistas do Corinthians são sempre no sufoco, no suor e no último momento, quem sabe domingo (hoje) não seja assim", afirma, confiante na mística corintiana, o presidente Andrés Sanchez, diretor de futebol no título de 2005. "Precisamos acreditar, ainda resta uma rodada. Ninguém esperava o Fluminense empatar com o Goiás, o Corinthians perder para o Atlético-GO ou o Cruzeiro sofrer com o Guarani."

Andrés, ao lado de diretores do clube, estará nas arquibancadas do Serra Dourada para empurrar o time para cima do Goiás. Ele fará coro a esperados 36 mil alvinegros no estádio.

Todos no clube passaram a semana apostando num discurso otimista. Como o Guarani não é rival da mesma forma que São Paulo e Palmeiras, os corintianos têm fé na ajuda dos campineiros. No primeiro turno eles venceram o Fluminense por 2 a 1. "Não penso em mais nada, a não ser no domingo, vai ser difícil, mas estaremos preparados pra fazermos um grande jogo", postou em seu Twitter o volante Elias, de volta após cumprir suspensão diante do Vasco.

"Em 2005 estava um pouco mais fácil. Era vencer o nosso jogo. Agora dependemos de um tropeço. Lembro que não fui para o banco, mas estava com o elenco", endossou o goleiro Júlio César, que pode ser bicampeão. "Mas sou brasileiro e não desisto nunca."

Inédito. Nunca um líder dos pontos corridos do Campeonato Brasileiro chegou à rodada decisiva na frente e acabou superado. Santos (2004), Corinthians (2005), São Paulo (2008) e Flamengo (2009) confirmaram a conquista na rodada decisiva. Agora, o Alvinegro busca mudar a história. A fé, então, é na amarelada que Fluminense e Flamengo deram em decisões recentes da Copa do Brasil, na qual deixaram o troféu escapar com tropeços no jogo decisivo, ambos no Maracanã, diante de Paulista de Jundiaí e Santo André, respectivamente, dois pequenos de São Paulo, como o Guarani.

Neste Brasileiro, ainda há algo motivador aos corintianos. O Fluminense não ganhou de nenhum paulista no Rio e só empatou com os rebaixados Prudente e Goiás, ambos por 1 a 1, quando era mandante. "Já vi muitas coisas no futebol. Por que não podemos sonhar?", indagou Roberto Carlos, na sexta-feira, sem esconder que seria um milagre uma reviravolta na rodada decisiva.

Na Libertadores. Caso confirme uma das duas primeiras colocações, o Corinthians estreará na Libertadores no Pacaembu, diante de um argentino. Se for o campeão, o Alvinegro pega o Argentino Juniors. Se for vice, encara o campeão argentino, que deve ser o Estudiantes.

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