Corinthians aposta na motivação para assumir a ponta

Embalado por duas vitórias, time precisa derrotar o Juventus, hoje, para chegar à liderança da competição

Fábio Hecico, O Estadao de S.Paulo

15 de março de 2008 | 00h00

O Corinthians iniciou o Estadual desacreditado e com a missão de não fazer feio. Com a seqüência das rodadas, começou a se empolgar com bons resultados e a possibilidade de brigar por vaga na semifinal. Hoje, já sonha alto. A meta é bater o Juventus, às 16 horas, no Morumbi, assumir a liderança - o Guaratinguetá, com 2 pontos a mais, recebe o Bragantino, amanhã - e tentar, na primeira fase, acabar na frente para garantir vantagem nos mata-matas."Não vou pensar em almoçar no domingo em 1º lugar (a partida do Guaratinguetá será às 11 horas), se posso dormir líder", brinca o técnico Mano Menezes. "Quero aproveitar uns minutinhos a mais, por isso é importante vencermos."O Corinthians já liderou o Estadual, mas apenas na primeira rodada, em que foi o único dos vencedores a ganhar com três gols de saldo (3 a 0 no Guarani). E espera, pouco a pouco, ir reconquistando o primeiro lugar. "A primeira vez em que entramos no G4 durou 24 horas, depois ficamos lá por 3 dias e agora já está durando mais", lembra Mano, ciente de que o Guaratinguetá terá jogo difícil na rodada seguinte, contra o Santos. E sua equipe receberá o instável Rio Claro.Terminar na ponta da tabela significa boa vantagem - depois, é possível até ser campeão sem precisar vencer. Com quatro empates, o time levaria o título estadual, que não ganha desde 2003. O exemplo corintiano vem do ano passado, quando o Santos fez valer o regulamento, com duas igualdades, sem gols, diante do Bragantino, na semifinal, e uma vitória e uma derrota, ambas por 2 a 0, na decisão com o São Caetano.Quem terá a missão de conduzir o time à liderança é o meia Diogo Rincón. Em seu quarto jogo como titular, deixa de ser coadjuvante. Dessa vez Mano Menezes conta com o jogador na função de principal peça em campo, responsável por auxiliar os avanços dos laterais André Santos e Carlos Alberto e de servir aos atacantes Dentinho e Herrera. Por isso, o técnico optou pela entrada de Héverton para ajudar os volantes e liberá-lo. "A partir de agora, o torcedor não admite mais ficar fora dos quatro. Criamos essa expectativa e, se não atingirmos as semifinais, será decepcionante", observa Mano, justificando o fato de jogar ofensivamente.E Rincón promete superação para não frustrar a confiança do chefe. "Desde que cheguei, ainda não joguei com os mesmos companheiros. Sei que ainda falta um pouco de entrosamento com a rapaziada, mas já me sinto bem aqui e espero melhorar", afirma. Como? "Estou analisando todos os jogos e me cobrando bastante. Fui bem contra o Guaratinguetá e quero jogar mais do que naquele jogo", completa, com feição séria.A feição séria não foi sem motivo. Gargalhadas e piadinhas estão proibidas nas entrevistas. Mano ficou aborrecido por perder para o Palmeiras e ver seus jogadores chamando Valdivia de "chorão" antes de a bola rolar. Acredita que aquilo motivou o rival. "Estamos numa posição importante e com a classificação bem encaminhada. Mas é necessário humildade, pés no chão", declara. "Sabemos que o time tem qualidade para chegar e também muita coisa para melhorar. Respeitando os adversários, alcançaremos o objetivo."Ainda abaixo fisicamente, Rincón revela estar encontrando outra dificuldade: os gramados ruins. "Tenho de me adaptar, pois sei que não vou pegar gramados sempre bons como na Europa", diz. "Aqui, até em dois toques estou sofrendo e errando."

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