Corinthians aposta no seu ataque

Time de Mano Menezes marcou nos últimos 17 jogos. Se cuida, Botafogo

Marcel Rizzo, O Estadao de S.Paulo

22 de maio de 2008 | 00h00

O estilo de jogo do futebol gaúcho, de forte marcação, acaba deixando os treinadores do estado com a fama de retranqueiros. Não foi diferente com Mano Menezes ao chegar no Corinthians, em janeiro. Principalmente porque suas primeiras escalações apresentavam três zagueiros. Foram precisos quatro meses para Mano chutar a fama para longe do Parque São Jorge. E foi um chute de primeira. Para aqueles que se lembravam do Grêmio que só apanhava fora de casa porque abdicava do ataque (foi assim na Libertadores 2007, quando só teve um sucesso como visitante), a escalação corintiana atualmente é o ápice da ofensividade: só um volante, dois meias e três atacantes, sendo dois pontas.O esquema será mantido para o duelo decisivo da Copa do Brasil, contra o Botafogo, quarta-feira, no Morumbi."Sempre preferi o 4-4-2. Hoje meu time se adaptou bem ao esquema com três homens mais avançados. No começo do ano era necessidade sermos defensivos. Só isso", explica Mano. Não há time que jogue assim hoje no Brasil. O Palmeiras, de Luxemburgo, de vez em quando arrisca com Lenny e Denilson abertos. Mas não é a primeira opção. A ofensividade de Mano teve um desfecho sensacional anteontem, no Rio: Cuca, técnico do Botafogo, esperou a escalação corintiana para anunciar seu time. Ao saber que os três atacantes estavam mantidos, algo que muitos duvidaram, ele foi quem se retrancou com três zagueiros. Deixou o primeiro tempo perdendo por 1 a 0 e teve que se abrir. Conseguiu a virada, mas o Corinthians teve dois gols anulados, reclamação de arbitragem... "Tenho de respeitar a maneira que a equipe está atuando. Estamos jogando bem e não tem por que mudar", comenta. E a tática está dando resultado? Se nota em números. O Corinthians fez gols nas últimas 17 partidas - depois da derrota de 1 a 0 para o Palmeiras, em 2 de março. São 54 gols em 30 jogos, média de 1,8 por confronto. É idêntica a do Palmeiras (1,89) e superior a de São Paulo (1,34) e Santos (1,65). Sem contar que o Corinthians está na semifinal da Copa do Brasil e lidera a Série B com 100% dos pontos (duas vitórias).A questão que fica para encarar o Botafogo na volta, quarta-feira, é quem entrará nas vagas de Fabinho, André Santos, Carlos Alberto e Lulinha, suspensos. Mudança de esquema no jogo em que precisa vencer para ir à final? "O ideal é mexer o mínimo na tática", disse Mano. Nas laterais não deve ter segredo - Alessandro entra na direita e Saci, na esquerda. Nilton deve ocupar a vaga de Fabinho. O problema é na frente. Se Acosta estiver na posição de Lulinha, terá de jogar mais fixo e Herrera mais aberto. Só que o argentino se deu muito bem como centroavante.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.