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Corinthians com alma

O empate no clássico evitou vítimas. O Corinthians jogou sua melhor partida no Paulistinha contra um Palmeiras sem inovações, sustentado pela base que tem funcionado muito bem no torneio. A solução encontrada por Mano Menezes para estancar a queda corintiana foi fortalecer a marcação do time que perdeu a consistência defensiva do Brasileiro.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2014 | 02h05

Com três volantes, Ralf, Guilherme e Bruno Henrique, o treinador elegeu a recuperação da bola como a prioridade do clássico. A recuperação e o passe para a articulação do meia Jádson. A trinca de marcadores explica a tensão e as possíveis consequências que mais uma derrota poderia trazer.

Perto do que vinha produzindo, o clássico foi uma bênção nesse processo de reconstrução da equipe, que ganhou alma e uma estrutura tática visível, um ponto de partida para sua recuperação.

Ambos estão em reconstrução, o Palmeiras com as feridas do rebaixamento e o Corinthians de volta à estaca zero. Comparados os últimos dois anos de cada clube, a tarefa corintiana deveria ser menos estressante. Mas isso não significa encarar a abrupta queda de rendimento como algo normal.

As dores da queda são os pilares do novo Palmeiras. Estão no rosto de cada jogador, de quem trabalhou pelo retorno e de quem chegou sabendo o tamanho do desafio. O retrocesso corintiano é um susto, uma confissão de incompetência.

Gilson Kleina continua recebendo jogadores para colocar na equipe, que tem funcionado bem no Estadual. Cabe ao treinador fazê-la evoluir tecnicamente sem estragar o que foi feito. A primeira missão de 2014 está sendo bem executada, tornar Valdívia um jogador real - embora não tenha se destacado ontem.

As dificuldades do Palmeiras na partida não podem ser usadas para implodir o que foi feito até agora. Até o final do torneio a equipe deverá ganhar mais qualidade. O próximo passo é encaixar Bruno César ao lado do chileno. As novas contratações ensejam transformação técnica e tática.

No Corinthians, bastaram algumas partidas para ficar claro que apenas a mudança de treinador não corrigiria o esfacelamento técnico do grupo. A reformulação da equipe também passa por nova opção tática. Pode ser esse 4-4-2 com três volantes ou o mesmo sistema com dois meias, com Renato Augusto no lugar de um jogador de marcação.

O 4-2-3-1 da Libertadores e do Mundial funcionou bem demais, sustentado pela coesão das tarefas defensivas. A defesa espetacular foi resultado do sistema e não apenas da competência da última linha de marcação, formada por Cássio, Alessandro/Edenilson, Chicão/Gil, Paulo André, Fábio Santos e Ralf.

Volante é palavra perigosa no futebol brasileiro atual. Afinal, o jogador que iniciou a desintegração do campeão mundial foi justamente um deles, Paulinho. Então, antes de crucificar um jogador da posição é preciso conhecê-lo. Ontem, entretanto, o primeiro objetivo era mesmo travar a boa fase do time de Kleina. E funcionou.

A partir de agora, até a nova equipe começar a dar resultado, será mais fácil perceber como o trabalho coletivo influenciava no resultado final do time campeão mundial. Em função disso, a partida de ontem será sempre lembrada, até o restabelecimento total da confiança.

O clássico fez bem aos dois times. Servirá de referência para a reconstrução de Corinthians e de Palmeiras. Mas é preciso trabalhar em paz, o terror de alguns setores das torcidas uniformizadas pode matar a semente de um bom time.

Um dos pontos altos do confronto ocorreu sexta-feira: a coletiva dos presidentes e treinadores. Paulo Nobre deixou claro que a relação com as uniformizadas é questão resolvida no Palmeiras. Já Mário Gobbi, mesmo depois da invasão do CT, não consegue se desvencilhar delas.

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