Corinthians comanda ''levante'', pede licença e pressiona o Clube dos 13

Andrés Sanchez promete anunciar até amanhã se clube vai se desligar da entidade. Presidente do C13, Fábio Koff diz que lei impede atuação individual

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2011 | 00h00

Donos das principais marcas do futebol brasileiro e insatisfeitos com as cotas que recebem pelos direitos de televisão, Corinthians e Flamengo usam toda a sua força e o prestígio para convencer dirigentes de outros clubes a segui-los na ideia de abandonar o Clube dos 13. Ontem, o presidente alvinegro, Andrés Sanchez, esteve no escritório da entidade em São Paulo para conversar com o presidente do C13, Fábio Koff. No encontro, que durou cerca de 15 minutos, o corintiano deu cartada arriscada. "O Corinthians se licenciou do Clube dos 13 e a tendência é de que saia de vez nos próximos dias", afirmou Andrés. Em seguida, por meio de sua assessoria, o cartola acrescentou que a decisão será comunicada até amanhã.

Andrés garantiu que sua decisão não está condicionada ao posicionamento de outros clubes. Porém, a articulação nos bastidores é intensa. Um indício foi dado pela presidente do Flamengo, Patrícia Amorim. A dirigente rubro-negra admitiu que a relação com o C13 não é boa. "As coisas caminham para isso (o racha). Não descartamos nenhuma possibilidade", observou Patrícia. Os líderes do movimento já dão como certo o apoio de clubes como Cruzeiro, Grêmio, Santos, Vasco e Botafogo.

Koff procurou não dar importância ao comportamento de corintianos e flamenguistas. "Os clubes não têm como negociar de forma individual. A lei é clara quando diz que as transmissões de tevê precisam da assinatura das duas partes envolvidas", explicou, referindo-se ao artigo 42 da Lei Pelé. "A menos que Corinthians e Flamengo consigam alguma emissora interessada em transmitir apenas os dois jogos que eles farão no Brasileiro."

Koff disse que estranhou o comportamento de Andrés na reunião. "Confesso que não entendi muito bem. O Andrés veio aqui, de forma muito respeitosa, mas não pediu nada. Apenas disse que tinha a intenção de se desfiliar, mas não sabia bem o que fazer e que pensaria sobre o assunto", lembrou. "Com relação a essa licença, em momento algum do nosso encontro ele falou sobre isso. Nosso estatuto nem prevê essa questão."

Confusão. Além das cotas de tevê, a polêmica envolve também uma série de intrigas políticas com a CBF. De um lado, o presidente da entidade, Ricardo Teixeira, que tem Andrés e, recentemente, Patricia como aliados na ideia de formar uma liga. Do outro, Koff e o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio.

A Rede Globo e a Rede Record estão envolvidas na disputa pelos direitos de transmissão da tevê aberta. Caso ocorra um racha no C13, Koff explicou que as emissoras só poderiam transmitir os jogos que envolvessem dois clubes aliados. "Os jogos aconteceriam normalmente, mas o número de transmissões seria menor. E isso é ruim para todo mundo", disse Koff. A diretoria do C13 se reúne hoje para definir o conteúdo do edital que trata do contrato de televisão. A previsão é de que a escolha seja feita no fim de março.

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