'Corinthians e Boca Juniors são maiores que o futebol'

Empresário argentino que mora em São Paulo desde 1980 torce para os dois times

WILSON BALDINI JR., O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h09

O empresário Diego Man é argentino, mas mora em São Paulo desde 1980. Aos 46 anos, ele se considera campeão da Taça Libertadores desde quinta-feira, quando o Boca Juniors eliminou o Universidad de Chile e carimbou passaporte para encarar o Corinthians na decisão, que terá o primeiro jogo amanhã em La Bombonera. Fanático pelo time argentino, Diego passou a admirar a equipe de Parque São Jorge a partir do momento em que seu pai abriu uma filial de uma empresa argentina em São Paulo há mais de 30 anos.

"Corinthians e Boca são maiores que o futebol. Estou sofrendo com esta disputa desde quinta-feira, mas vou torcer pelo Corinthians. Vai ser o primeiro título. O Boca não tem mais onde enfiar troféus. Se vencer, vai ter de aumentar o distintivo para colocar mais uma estrela", brincou Diego, que sugere ao time de Tite pelo menos um empate em Buenos Aires. "Se conseguiu voltar sem derrota, o Corinthians fica com o título no Pacaembu."

Ao mesmo tempo, o boquense/corintiano adverte para a mística de La Bombonera. "É impressionante, mas lá dentro o Boca incorpora uma força que eu não sei de onde vem", disse. "O Corinthians terá de ter atenção até o apito final, pois é muito comum o Boca fazer gols nos minutos finais das partidas. Este Boca não é o melhor Boca de todos, mas não desiste nunca. A torcida não vai parar de incentivar."

Outro ponto de atenção, segundo Diego, será Riquelme. "Vai ser a última competição internacional dele pelo Boca. Ele vai dar tudo para ganhar a Libertadores mais uma vez", afirmou, referindo-se ao meia de 34 anos, que vai se transferir para o futebol chinês na próxima temporada. "Eu acho o Riquelme parecido com o Ganso. Os dois não vibram, mas podem decidir em um passe."

Para o Corinthians sair vitorioso, Diego Man tem uma sugestão para o "desafeto" Tite. "Não sou fã dele (Tite). Fiquei o ano de 2011 todo sem ir ao estádio por causa da maneira com que ele escala a equipe", disse. "Só voltei por pressão dos meus filhos - Luana (15 anos), Marina (12) e Nicolas (seis). Acho que ele poderia escalar a equipe com três atacantes. Tiraria Alex e Jorge Henrique para colocar Romarinho e Liedson", afirmou, ainda entusiasmado com a vitória de virada sobre o Palmeiras, por 2 a 1, domingo, no Campeonato Brasileiro.

Frequentador assíduo dos estádios brasileiros e argentinos, Diego lembra de dois casos curiosos quando foi incentivar Boca e Corinthians na Libertadores de 2003. "Fui no Monumental de Nuñez torcer contra o River Plate e o Corinthians fez um gol. Segurei o grito de gol e acabei com uma fissura em uma das costelas." O River eliminou o Corinthians nas oitavas de final. No mesmo ano, mas na final entre Boca e Santos, no Morumbi, Diego pediu "sorvete" ao vendedor ambulante e foi flagrado por um torcedor santista invocado. "Que sotaque é esse, hein". Diego não teve dúvidas em responder. "Yo soy de Uruguay y estoy aquí para dar mi apoyo a los Santos." O Boca ficou com o título.

Amanhã, Diego não estará em La Bombonera. "Não tive como comprar ingresso." Mas estará no Pacaembu. "Com a minha camisa metade Boca, metade Corinthians. Mas a taça vai ficar aqui."

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