Corinthians enfim pode iniciar arena

Prefeitura emite o último documento necessário para tocar a construção, mas ainda há indefinição sobre o financiamento do estádio, orçado em R$ 1 bi

Almir Leite e Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2011 | 00h00

O último documento da Prefeitura de São Paulo que o Corinthians precisava para iniciar as obras de seu estádio, em Itaquera, foi emitido no sábado pelo Conselho de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Cades). A arena é a aposta da cidade para receber a abertura da Copa do Mundo de 2014, mas os constantes adiamentos do começo da construção levaram a Fifa a considerar fortemente a possibilidade de realizar o evento em Brasília, como informou o Estado no domingo.

Ainda não há data definida para o início do empreendimento. O contrato entre Corinthians e a construtora Odebrecht, que seria responsável pela obra, ainda não foi sequer assinado.

O Relatório de Impacto de Vizinhança (Rivi)foi aprovado em despacho publicado no Diário Oficial, duas semanas depois de ser apresentado pelo clube. A apresentação ocorreu logo após a Secretaria Municipal de Transportes ter emitido a licença da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) para a obra.

No despacho, a Prefeitura de São Paulo também já definiu uma "agenda ambiental"" que deve ser cumprida pelo clube no decorrer das obras, as regras de acessibilidade e a compensação para o meio ambiente. São 24 itens a serem resolvidos.

O Corinthians diz agora que pode iniciar as obras enquanto prepara os novos documentos pedidos pela Prefeitura para minimizar o impacto sonoro do futuro estádio. O prazo para que sejam entregues é de 180 dias.

No dia 29 de abril, sob pressão do governo federal por causa do atraso, a Prefeitura já havia emitido licença que autorizava o Corinthians a iniciar as obras. Porém, para conseguir a licença final, o clube ainda precisava cumprir as determinações da certidão emitida pela CET.

Preocupação. Apesar da "boa notícia"" e de demonstrarem otimismo publicamente, os responsáveis pela organização em São Paulo estão apreensivos com o risco de perderem a abertura para Brasília. O secretário especial de articulação da Copa, Gilmar Tadeu Ribeiro, prefere nem pensar nessa hipótese. "Nossa batalha é para receber a abertura (da Copa) e seis jogos. Riscos e problemas existem para ser resolvidos. Temos um rumo e vamos fazer de tudo para segui-lo"", disse.

Tadeu garantiu que a questões das licenças não representavam "entrave"" para o início das obras. Mas reconheceu que o aumento do custo do estádio para 68 mil pessoas de R$ 700 milhões para R$ 1 bilhão é um sério problema. "Mas estamos trabalhando para encontrar uma solução"", afirmou, sem dar detalhes.

O Corinthians já avisou que não vai arcar com a diferença e, nos últimos dias, o presidente Andrés Sanchez tem repetido que não faz a menor questão de receber a abertura da Copa. "Um estádio para 45 mil pessoas, eu garanto. Agora, se vai ser abertura da Copa ou não, não é problema do Corinthians"", diz.

Sanchez tem conversado quase diariamente com representantes dos governos municipal, estadual e da Odebrecht. Mas ainda há impasse em relação ao custo da arena. A empresa não teria definido ainda a "engenharia financeira"" para tocar o empreendimento e os governos consideram que os Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CID) da zona leste, que representariam R$ 240 milhões, além do pacote de R$ 478,2 milhões em investimentos públicos na região de Itaquera - principalmente em mobilidade urbana - são uma "grande participação"".

Apesar dos problemas, Gilmar Tadeu disse acreditar que as obras possam ter início ainda este mês - as sucessivas promessas nesse sentido acabaram minando a paciência da Fifa. É mais otimista até que o vice-presidente de marketing do Corinthians, Luiz Paulo Rosenberg, que prefere apostar em junho. Seja como for, a Fifa decidiu: iniciar as obras já não basta, o que vai contar será o ritmo dos trabalhos.

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