Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Corinthians entra com recurso para ter torcida em jogos no Pacaembu

Clube tenta reverter punição da Conmebol que o obriga a jogar com portões fechados na Libertadores

GONÇALO JÚNIOR e RAPHAEL RAMOS, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2013 | 02h07

SÃO PAULO - O Corinthians apresentou ontem à Conmebol um recurso para tentar anular a liminar que impede a presença de torcedores em seus jogos na Libertadores - as partidas em casa serão disputadas com portões fechados e nos confrontos como visitante está vetada a entrada de torcedores do Alvinegro. O clube espera obter uma resposta até o fim da tarde de segunda-feira.

A Conmebol puniu o Corinthians preventivamente até que seja apurada a responsabilidade do clube na morte de Kevin Beltrán Espada, de 14 anos, no jogo com o San Jose, quarta-feira, em Oruro, no Estádio Jesús Bermúdez, na Bolívia. O garoto foi atingido por um sinalizador marítimo disparado do setor ocupado pela torcida alvinegra.

O recurso do Corinthians será analisado pelo uruguaio Adrián Leiza. Ele é vice-presidente do Tribunal de Disciplina da Conmebol. O presidente do comitê é o brasileiro Caio César Vieira, que está impedido de julgar o caso por envolver um clube do seu país, assim como o boliviano Alberto Lozada, outro integrante do tribunal.

Os outros membros da comissão são Carlos Tapia Aravena (chileno) e Orlando Morales (colombiano), mas, por não haver tempo hábil para eles se reunirem para analisar o recurso do Corinthians, a decisão será de Leiza. É o que no meio jurídico se chama de despacho monocrático. O próximo jogo do Corinthians na Libertadores é quarta-feira, contra o Millonarios, da Colômbia, no Pacaembu. Já foram vendidos 28 mil ingressos.

Caso não consiga derrubar a liminar que impede a presença de torcedores em seus jogos na Libertadores, o Corinthians terá de devolver o dinheiro para quem já comprou ingresso. A diretoria, porém, está otimista e não trabalha com essa hipótese.

"Queremos a torcida, como sempre esteve, ao nosso lado lá no Pacaembu. E contamos com isso. Temos certeza que nós vamos conseguir reverter essa liminar que, ao nosso ver, é totalmente descabida e abrupta. O Corinthians e a sua torcida não concorreram para o fato trágico que aconteceu", afirmou o diretor jurídico do clube, Luiz Alberto Bussab.

O argumento do Alvinegro é que o caso ainda não foi julgado e, por isso, o clube não pode ser punido de forma antecipada. "Não tivemos defesa. O inquérito policial na Bolívia ainda não terminou. As autoridades não sabem individualmente quem cometeu, como cometeu. Não se apurou a responsabilidade individual", alega Bussab.

Ainda de acordo com o diretor jurídico do clube, a prioridade no momento é cassar a liminar. Depois sim o Corinthians vai apresentar a sua defesa sobre o incidente, o que pode levar até sete dias.

A linha de defesa de Bussab é que o clube não pode ser responsabilizado por atos da sua torcida. "Não houve nenhuma ajuda financeira, nenhuma contribuição, nenhum incentivo sequer. Não existe relação econômica ou de subvenção entre torcida organizada e Corinthians. Só existe respeito e diálogo."

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