Corinthians envia hoje defesa à Conmebol e pede 'urgência'

Clube alega que não pode ser punido pela morte do torcedor e quer que a proibição de jogar com torcida seja revogada

VÍTOR MARQUES, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2013 | 02h04

O departamento jurídico do Corinthians envia hoje à Conmebol a defesa que o clube vai apresentar no Tribunal de Disciplina. O documento será enviado por e-mail e também por fax. O texto cita "caráter de urgência" e pede que a medida cautelar que obriga o time a jogar de portões fechados seja reconsiderada até a realização do julgamento.

A defesa está calcada basicamente no fato de que o Corinthians não pode ser penalizado pela morte de um torcedor. No entender do clube, o correto seria sofrer uma punição apenas pelo uso que um de seus torcedores fez de um sinalizador.

O clube também alega que o regulamento da Conmebol não é claro quanto às punições. Há uma série de infrações, e o uso de sinalizador é uma delas. Há também uma lista de sanções. Ainda de acordo com o Corinthians, não há correlação entre as punições e sanções.

Criado no final do ano passado, o novo Código Disciplinar da Conmebol passou a valer nesta edição da Libertadores. O artigo 11 diz que qualquer clube pode ser punido por causa da atitude de sua torcida. Já o artigo 18 cita possíveis penas, entre elas multa, anulação de jogo, perda de pontos, atuar com portões fechados, proibição de jogar em um estádio ou no seu país e até a exclusão da competição.

"A punição aconteceu porque foi aceso o sinalizador. Fomos punidos por uma morte e a morte foi consequência da causa. O estádio inteiro tinha sinalizador", diz o diretor de futebol Roberto de Andrade.

O fato de a Conmebol ter punido o clube rapidamente e com a pena de jogar todos os jogos com portões fechados, segundo dirigentes, foi a pressão da opinião pública em razão da morte do garoto Kevin Beltrán, de 14 anos.

A melhor saída para o Corinthians, entendem os cartolas, é que a punição seja mantida apenas na primeira fase. Não só a de jogar com os portões fechados como também a de não poder levar torcedor nos jogos como visitante. O mais importante para os dirigentes é a fase de mata-mata.

Os próximos dois jogos em casa, pela primeira fase, são contra o Tijuana, em13 de março, e contra o San Jose, em 10 de abril.

Um dos indícios de que a própria torcida acredita que a pena seja revertida é que, segundo o clube, até agora não houve problema com a devolução de dinheiro de quem havia comprado os bilhetes pelo Fiel Torcedor.

"O torcedores ainda preferem continuar com os bilhetes dos próximos dois jogos porque acreditam que a pena pode ser revista", disse Lúcio Blanco, supervisor de arrecadação. "Em relação ao jogo contra o Millonarios, de portão fechado, os torcedores preferiram ficar com créditos para comprar bilhetes para outros jogos ou até para pagar a anuidade do plano."

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