JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Corinthians está com medo de perder Tite

Queda de Mano agita o clube, pois treinador é um dos cotados para assumir posto; e Marin e Andrés vão estar no Japão

VÍTOR MARQUES, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h02

SÃO PAULO - A notícia da demissão de Mano Menezes da seleção brasileira caiu como uma bomba no Corinthians. O problema não foi a queda em si, mas a indefinição quanto ao sucessor do treinador.

O motivo: a demora em definir quem será o novo técnico do Brasil pode se estender durante a disputa do Mundial do Japão, o que aumentaria ainda mais as especulações em torno do nome de Tite, um dos cotados para assumir a seleção.

A preocupação da diretoria é que a simples presença de José Maria Marin, presidente da CBF, como chefe da delegação do Corinthians no Japão, poderia tumultuar o ambiente do clube.

Andrés Sanchez, até agora diretor de seleções da CBF, também vai ao Japão acompanhar o Corinthians na disputa do Mundial. Ou seja: a cúpula da CBF estará ao lado do time durante o torneio, com Tite sendo cotado, e a seleção com o cargo de técnico vago.

Esse será um dos assuntos mais comentados entre dirigentes do Corinthians antes do clássico contra o Santos hoje, no Pacaembu, pelo Brasileiro.

O Corinthians, agora, torce desesperadamente para que a CBF defina o nome do novo treinador o quanto antes. E que, claro, não seja Tite, que renovou contrato há pouco mais de um mês.

Assim que Mano Menezes caiu, dirigentes corintianos já temiam que Tite estivesse na mira. A informação no Parque São Jorge apontava Tite como número "três" da lista de Marin, segundo cartolas, atrás de Luiz Felipe Scolari, e Muricy Ramalho.

Tite iniciou o treino desta tarde já sabendo da queda de Mano Menezes. Blindado pela diretoria, ele não deu entrevista coletiva, como é de praxe nas vésperas dos jogos.

Logo depois o diretor de futebol Roberto de Andrade falou com os jornalistas para garantir a permanência de Tite até "dezembro de 2013". Mas também disse que o clube não perderia seu treinador e ficaria de mãos vazias. A multa para tirá-lo do Corinthians seria de cerca de R$ 5 milhões - valor referente pelo tempo de contrato que Tite teria de cumprir.

Voto vencido. Andrés Sanchez passou na tarde de ontem meia hora dizendo aos jornalistas que estavam na sede da Federação Paulista de Futebol que respeita a hierarquia - por isso aceitou a demissão de Mano Menezes, embora fosse contrário - e não vê motivo para deixar o cargo de diretor de seleções da CBF. Mas a verdade é que deixou o prédio muito mais fraco do que quando tinha entrado, e pode ser a próxima vítima da foice de José Maria Marin e Marco Polo Del Nero.

O desconforto de Andrés com a situação era evidente. Ele se irritou com várias perguntas, principalmente com as que se referiam ao seu futuro como membro da cúpula da CBF. "Qual o problema de eu ter sido voto vencido? Na sua empresa você nunca foi contrariado? A CBF é como qualquer empresa", foi uma de suas respostas atravessadas.

A decisão tomada ontem por Marin e Del Nero mostra que, além de Andrés estar enfraquecido, é clara a intenção de romper os elos com a gestão de Teixeira.

Na nova ordem da CBF, o ex-presidente do Corinthians perdeu influência. E sabe disso, embora faça questão de dizer publicamente que joga no mesmo time de Marin.

Tudo o que sabemos sobre:
futebolcopa 2014corinthians

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.