Corinthians está de volta à briga

Vitória por 1 a 0 sobre o rival Palmeiras na estreia de Tite e tropeço dos[br]adversários diretos dá à equipe ovo fôlego na luta pelo título

Bruno Deiro, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2010 | 00h00

Em sua estreia no Corinthians, Tite não precisou de uma atuação vistosa no clássico de ontem, no Pacaembu, para afastar a crise de um time que não vencia havia sete jogos. A vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras, com gol de Bruno César, retomou a confiança dos corintianos na briga pelo título brasileiro - tem 53 pontos, um atrás do líder Fluminense e do Cruzeiro, que não venceram na rodada. De quebra, acabou com a invencibilidade do arquirrival, que durava nove jogos.

Artilheiro do Corinthians, Bruno César marcou ainda no primeiro tempo seu 12.º gol na competição e trouxe alívio aos alvinegros, maioria no Pacaembu tomado por mais de 32 mil torcedores. Após o gol, o time corintiano admitiu que priorizou a marcação e deixou o campo elogiando a preocupação defensiva do estreante treinador. "É sempre importante a vitória no clássico. O Tite priorizou a marcação, pois a gente vinha sofrendo muito atrás. Vencemos a desconfiança", disse Elias.

"(O resultado) é importantíssimo, dá esperança de lutar pelo título. Com certeza foi um grande resultado para a gente", comemorou Ronaldo, em tarde bastante apagada. Do outro lado, Valdivia começou no banco, entrou no intervalo e saiu antes do fim, com dores na coxa. As duas equipes voltam a campo na quarta-feira. O Corinthians vai até o Rio, onde enfrenta o Flamengo, enquanto o Palmeiras segue até Sete Lagoas (MG), onde joga com o Atlético-MG, partida de ida das quartas de final da Copa Sul-Americana.

Mudanças. Mesmo com pouco tempo para impor seu estilo, Tite fez algumas mudanças importantes. Além da força defensiva, recolocou Bruno César na armação e recebeu elogios do meia. "Ele me deu liberdade de vir buscar, o que não ocorria nos outros jogos", disse o autor do gol.

O Corinthians construiu o resultado na primeira etapa e sofreu pouca pressão do Palmeiras, que levou perigo apenas nas bolas paradas com Marcos Assunção. "Fizemos 30 minutos muito bons, depois teve um ponto de equilíbrio maior", analisou Tite.

O primeiro tempo começou com o Corinthians no ataque. Empurrado pela torcida, o time de Tite sufocou a zaga palmeirense e criou boas chances. Pressionado, o Palmeiras mal conseguia passar do campo de ataque e o gol corintiano era questão de tempo. Aos 22, Roberto Carlos ajeitou na entrada da área para Bruno César, que chutou de esquerda e contou com um desvio, que traiu Deola, para abrir o marcador.

Pressão. Obrigada a ir ao ataque, a equipe de Felipão avançou a marcação e conseguiu jogar um pouco mais no campo de ataque. Sem criatividade, trocou passes na intermediária e não conseguiu assustar. As melhores jogadas vieram em cruzamentos de Marcos Assunção.

Preocupado com a força corintiana na etapa inicial, Felipão decidiu arriscar tudo no segundo tempo. Tirou Lincoln para colocar Valdivia, no sacrifício. Além disso, colocou Patrik na lateral direita no lugar do garoto Luís Felipe, que aos 19 anos sentiu a pressão do clássico.

Logo no reinício, Valdivia fez boa jogada pela esquerda, que encontrou Luan na entrada da área, mas o chute parou em Júlio César. Pouco depois, o chileno levou a mão à coxa esquerda, mostrando que as dores ainda o incomodam. Deixou o campo aos 35, mancando, para dar lugar a Dinei. O Palmeiras seguiu dependente da bola parada de Marcos Assunção, mas parou na bem armada defesa do Corinthians e na atuação segura de Júlio César.

CHAVES DO JOGO

Defesa forte

Com maior preocupação de Elias e Jucilei na marcação, o setor defensivo do Corinthians de Tite ficou menos exposto e soube segurar a vantagem construída na primeira etapa da partida

Bruno César

Na armação, o meia corintiano se sentiu mais à vontade e melhorou sua chegada à frente. De quebra, o artilheiro voltou a arriscar seus chutes de longe e, em um deles, garantiu a vitória no clássico

Limitação do rival

O ataque do Palmeiras não dificultou muito a vida dos zagueiros do Corinthians. Lincoln foi mal na armação e Valdivia, machucado, pouco conseguiu fazer. Kleber, como sempre, brigou bastante, mas jogou isolado. Luan abusou dos erros de passe

Júlio César

O time de Felipão ficou dependente das bolas paradas, com Marcos Assunção. Mas Júlio César defendeu todas com segurança

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