Corinthians fica vulnerável sem dupla Chicão/William

Zagueiros só estiveram juntos em campo uma vez no Nacional. Sem eles: 14 gols em 10 jogos

Fábio Hecico, O Estadao de S.Paulo

18 de julho de 2009 | 00h00

"Está sendo chato sermos sempre a melhor defesa. Tentaremos ser o melhor ataque agora." A resposta de Mano Menezes é em tom de brincadeira, mas o alto número de gols sofridos nos últimos 6 jogos (5 no Campeonato Brasileiro e 1 na Copa do Brasil) está dando dor de cabeça ao treinador. Foram 12 gols, média de dois por jogo. Coincidentemente, o time jogou só duas vezes com a dupla titular Chicão e William.O capitão está com uma lesão no pé direito e só deve voltar ao time na quinta-feira, diante do Vitória, no Pacaembu. Se estivesse em campo amanhã, diante do Cruzeiro, estaria defendendo invencibilidade de um ano: desde o 1 a 0 para o Bahia, na Série B, jogo no qual Chicão não atuou. Com ambos em campo, o Corinthians não perde desde a decisão da Copa do Brasil de 2008, em 11 de junho (2 a 0 para o Sport)."O diferencial da nossa defesa é que já jogamos juntos faz mais de um ano (exatamente 1 ano e sete meses). Não precisamos nem olhar para o lado, pois conhecemos muito bem o posicionamento de cada companheiro", emenda William, que não atuou nos últimos três jogos. Nesse período, viu a equipe ser vazada em 8 oportunidades, com a impressionante marca de 2,66 gols por duelo."Acho que esses gols estão acontecendo por relaxo nosso, pelo que estamos demonstrando em campo", reconhece o volante Cristian. "Chega no segundo tempo, damos uma relaxada e isso não pode acontecer", admite. "Contra o Sport cedemos o empate, o jogo ficou difícil, complicado, só conseguimos ganhar no fim. Quando fizermos o resultado (boa vantagem), temos é de ir em busca de mais gols, assim não deixamos a outra equipe reagir", ensina, com uma observação adicional. "Se tivermos esse desleixo contra o Cruzeiro, vamos passar vergonha. Nada de acontecer o mesmo que ocorreu com o Grêmio (a equipe levou 3 a 0 em 37 minutos)."Acostumado a ter uma das defesas menos vazadas, desde a chegada de Mano Menezes - arrumar a zaga foi a prioridade do técnico no Parque São Jorge -, o Corinthians tem números mais preocupantes no atual Brasileiro. Em 11 rodadas, foram 15 gols sofridos, com a média de 1,36 por partida.Nas outras cinco competições disputadas sob o comando de Mano, e já com a dupla Chicão/William, apenas na Copa do Brasil de 2008 a média passou deum gol (1,09)."Se as equipes estão se acostumando ao nosso jeito de jogar, temos de fazer ainda melhor o que vínhamos fazendo", prega o técnico, que não vê a hora de William, o capitão e seu homem de confiança, voltar. "Gostaríamos de tê-lo já diante do Sport, mas não deu. Assim como não dará diante do Cruzeiro", lamentou, na quarta.O Corinthians disputou 115 jogos com Mano. Sofreu média de 0,85 gol por jogo. Com a dupla, o retrospecto cai para 0,80. Sem um deles, sobe para 0,91. Se sairem ambos, é uma festa para os ataques rivais. "Jogar sem o William e sem o Chicão é muito complicado", disse Elias, após 3 a 0 para o Grêmio. Sem a dupla.

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