Corinthians impõe o feijão com arroz

Assim que foi escolhido para ocupar a vaga de Adilson Batista no comando técnico do Corinthians, o interino Fábio Carille recebeu uma orientação. Aliás, soou quase como ordem, pois veio da direção do clube: ele deveria fazer com que o time voltasse a jogar como na época em que era dirigido por Mano Menezes, de quem Carille, diga-se de passagem, foi auxiliar.

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2010 | 00h00

Trocando em miúdos, era para acabar com essa história de movimentação intensa e trocas frequentes de posição do meio para frente, características marcantes do estilo defendido por Adilson.

O problema é que de nada adianta o treinador ter conceitos interessantes sobre armação tática se a ideia não agradar ao grupo. E, no caso do Corinthians, definitivamente não agradou. Uma das alegações é de que esse estilo não se adequava a um time cuja média de idade dos atacantes é alta. Jogadores como Iarley e Roberto Carlos, na casa dos 37 anos, não escondiam a insatisfação de precisar correr cada hora para um lado ou de atuar como um ponta.

Outros como Jucilei e Bruno César, embora mais jovens, também se mostravam refratários. O primeiro não gostava da obrigação de marcar as costas do lateral, quando esse avançava ao ataque como um ala. O segundo queria jogar mais próximo da área, onde se divertiu marcando os gols que o transformaram no artilheiro do time.

Adilson preferiu se apegar com unhas e dentes a seus conceitos sobre futebol. O resultado parece mostrar que, com um pouco mais de bom senso, ele teria passagem mais longa pelo clube.

E no caso da torcida? Vale o mesmo raciocínio. Trata-se de um problema no Corinthians, mas que não foi criado e não seria solucionado pelo treinador. Adilson não tem a obrigação de recebê-la na concentração, mas não precisava confrontá-la ao trocar um zagueiro por outro quando o time perdia por 3 a 1, em casa, para o Atlético-GO.

Desdenhou, pagou. Dia desses bati um papo com um dos dirigentes mais influentes na Conmebol. Perguntei a ele sobre a chance de a entidade reverter a decisão de tirar uma das vagas do Brasil na Libertadores. O diretor se mostrou cético. Disse que há vários meses alertou dirigentes de Brasil e Argentina que haveria esse risco, pois Venezuela, Bolívia e Equador fizeram intenso trabalho de bastidores. Brasileiros e argentinos desdenharam e agora pagam o preço.

Emenda ou soneto? Todos vocês conhecem aquele ditado "a emenda ficou pior do que o soneto", usado para explicar quando aquilo que deveria ser a solução de um problema acaba apenas por piorá-lo. Pois bem, é essa a sensação que tenho ao ouvir os atletas da seleção masculina de vôlei, campeã do mundo, sobre a partida contra a Bulgária. Não gostei de o time ter entregado o jogo, mas respeito a argumentação de que jogou com o regulamento. O que me deixou mais indignado foi a mudança de discurso dos jogadores. Depois de admitirem o fato, resolveram negar. Ora, qual o problema em assumir seus atos?

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.