Corinthians impõe teto salarial a Tite

Diretoria não admite pagar mais do que R$ 400 mil ao treinador, que tem até sexta-feira para responder se aceita; presidente Andrés Sanchez diz ter plano B

FÁBIO HECICO, VÍTOR MARQUES, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2011 | 03h06

Tite não terá o reconhecimento financeiro que esperava do Corinthians para uma renovação de contrato por mais um ano. E tem até sexta-feira para decidir se aceita ganhar o teto salarial para treinadores estipulado pela diretoria: R$ 400 mil. O valor é o mesmo que ganhava Mano Menezes após conquistar a Série B do Brasileiro, o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil. Tite sonhava com algo em torno de R$ 600 mil.

Apesar de admitir que o comandante do pentacampeonato brasileiro merecia receber um salário top, o Corinthians não imaginava uma pedida tão alta e já trabalha com outras opções no mercado. "Tenho um plano B, até um plano C. Se ele não acertar, na segunda-feira anunciamos um novo técnico. O Corinthians não ficará sem comando", garante o presidente Andrés Sanchez, durante sua visita ao Estado, ontem.

"Mas tenho certeza que ele vai aceitar e espero que tenha um ano feliz", disse Andrés, ressaltando que "é uma diferença razoável" a pedida de Tite para a proposta alvinegra.

O mandatário corintiano se despede oficialmente da presidência do clube amanhã - passa a bola para Roberto Andrade até as eleições de fevereiro.

Tite está passando férias com a família nos Estados Unidos, onde seu filho caçula, Matheus, mora e estuda, e deixou para seu empresário, Gilmar Veloz, definir a renovação por mais um ano. O vínculo atual termina no dia 31. "Ainda não está no papel, mas posso garantir que o Tite segue com a gente em 2012", havia dito Andrés logo após a conquista do Campeonato Brasileiro.

O otimismo virou apreensão e decepção após a proposta feita por Gilmar Veloz. "Temos um teto salarial e vamos respeitá-lo. Não faremos loucura. Se (o Tite) tiver outra proposta, paciência."

Apesar de garantir que tem planos B e C, Andrés guarda os nomes a sete chaves. Diz não ser necessário expor outros profissionais à toa. Não esconde, porém, seu apreço pelo técnico Dunga, que dirigiu a seleção brasileira na Copa do Mundo da África do Sul em 2010. Dunga, no entanto, aguarda propostas do mercado externo e dificilmente comandaria um clube do País no momento.

A reviravolta na negociação causou estranheza no Parque São Jorge. "O Andrés não falou nada demais. Expôs apenas a realidade do clube. E o Tite tinha de fazer uma estátua para o presidente pelo que fez por ele. Era para ter caído mais de uma vez e o Andrés bancou até o fim e agora acontecesse isso", indignou-se uma pessoa próxima ao presidente. "O Tite está viajando, vamos esperar a resposta por alguns dias, se não der certo, a gente toca nossa vida."

Na bronca. O empresário Gilmar Veloz ficou muito irritado com o ultimato de Andrés. Ele garante que a pedida não foi astronômica como disse o presidente e agora quer falar apenas com o diretor de futebol Roberto Andrade, justamente com quem vinha tratando da negociação durante a semana. "Não vou falar mais nisso, conversem com o assessor do Tite, acabou o assunto Andrés", disparou ao Estado o empresário, visivelmente irritado.

Tite ficou sabendo das declarações de Andrés, mas resolveu não se pronunciar. Ficou de dar uma posição para seus assessores, mas optou pelo silêncio. Pessoas próximas ao treinador, contudo, garantem que dificilmente ele pediria um aumento fora dos padrões nacionais.

O técnico gostaria, claro, de receber um reconhecimento pela temporada, na qual chegou ao vice estadual e ao título nacional. Ele não pensa em deixar o clube e, muito menos, em entrar em rota de colisão com Andrés. Um lado terá de ceder, ou o casamento que deu certo acaba.

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