Corinthians inédito!

A história recente do Corinthians tem sido marcada pela capacidade de eliminar traumas. Em 1990 foi o primeiro título brasileiro, em 2000, o Mundial e em 2010 o anúncio de que o sonhado estádio não só sairia do papel como seria o palco da abertura de uma Copa do Mundo. Nesse embalo, o Alvinegro ficou a um passo de acabar com mais um desses traumas. Pela primeira em sua centenária história, o Corinthians chega a uma final de Libertadores e está a um passo de pôr fim a sua maior obsessão.

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2012 | 03h07

E chegou com méritos e muito estilo. Corinthians e Santos fizeram uma grande semifinal. O time santista é mais talentoso, mas sentiu como é complicado enfrentar a eficiência conquistada com a paciência mostrada com o trabalho de Tite.

Claro que a emoção contagia e alimenta o futebol. Mas acompanhar um jogo como esse com olhar mais técnico do que apaixonado permite a observação de detalhes curiosos.

Corinthians e Santos entraram em campo precisando, mais do que nunca, daquilo que têm de melhor. Enquanto os corintianos contavam com a eficiência de seu sistema defensivo e a organização tática da equipe, os santistas apostavam em seu "DNA" ofensivo e no talento individual de Ganso e Neymar.

E a confiança em sua defesa, somada a uma certa acomodação típica de quem curtiu a semana de louros após heroica vitória na casa do adversário, fizeram com que o Corinthians exagerasse no espaço dado ao rival.

E nesse momento um fato interessante chamou atenção. O técnico Tite se esgoelava à beira do gramado ao pedir que seu time avançasse a marcação e impedisse a pressão santista, que naquele momento controlava o ritmo do jogo.

O treinador corintiano foi sumariamente ignorado. Mas não se trata de ter perdido o controle sobre o grupo. Provou-se ali que em momento de alta tensão, adrenalina lá em cima, o atleta nada ouve. Joga como se estivesse com o piloto automático ligado. Resultado: gol do Santos.

O Corinthians reage bem e vai para cima. Então me pergunto: por que esperam sofrer o gol para mudar de comportamento, uma vez que o treinador antecipara o que ocorreria? A resposta parece tão complicada quanto a explicar a razão da existência.

Chegar ao vestiário no intervalo do jogo em vantagem no placar era tudo o que o time de Muricy Ramalho queria. Bastaria ter tranquilidade e precisão para aproveitar os espaços que o Corinthians daria, uma vez que seria obrigado a sair para o jogo, para ampliar e resolver o jogo.

A teoria santista derreteu em dois minutos. Foi o tempo que Danilo precisou para empatar o clássico. E adivinhem o que aconteceu após o gol corintiano? Isso, o Corinthians voltou a recuar de forma exagerada. Uma conclusão: não interessa o time para o qual se torce. Torcedor é, antes de mais nada, um masoquista. Orgulhoso quando ganha, revoltado quando perde.

Mas a partir daí a defesa funcionou. Parabéns ao finalista!

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