Corinthians joga sob a pressão de não poder tropeçar

Time encara o Oeste e a incômoda obrigação de não deixar fugir de forma precoce a chance única de título no semestre

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2011 | 00h00

Tite não aguenta mais ser lembrado: o único título que o Corinthians pode vencer no primeiro semestre é o Campeonato Paulista. É com essa pressão que o técnico e a equipe alvinegra precisam conviver num jogo onde só os corintianos têm algo a perder, diante do Oeste, às 18h30, no Pacaembu, pelas quartas de final da competição.

"Nós falamos disso (de disputar apenas um título no primeiro semestre) desde a eliminação diante do Tolima. Essa é a nossa realidade", tenta conformar-se o treinador, que terá de enfrentar mais uma forte crise se os corintianos forem surpreendidos contra a equipe de Itápolis. "A pretensão é buscar o título. Não gosto de associar aquela derrota à nossa situação de agora. Ninguém precisa ficar me lembrando que só temos um campeonato para disputar, sei da minha responsabilidade."

O Oeste, em três anos de Série A1 do Paulista, jamais bateu um dos quatro grandes clubes de futebol do Estado. Na primeira fase, perdeu de 3 a 0 do Corinthians, no mesmo palco do duelo de hoje. Derrota alvinegra agora, quando o campeonato começa a valer alguma coisa, seria uma catástrofe para o time, que ficaria um mês sem disputar nenhuma partida oficial antes da estreia no Brasileiro, no dia 22 de maio, diante do Grêmio.

"Estas estatísticas não passam disso, números. E já ficaram no passado", despista Tite. "Nossa vitória na primeira fase foi um resultado normal de campeonato. Mas agora é um momento diferente. Os dois times estão concentrados para fazer uma decisão. A competição inicia do zero de novo agora."

Por causa de todo o caráter decisivo do confronto único do Pacaembu, o time corintiano treinou cobranças de pênaltis durante toda a semana. Se o jogo terminar empatado, é assim que será definido o semifinalista.

"Precisamos ter o discernimento de que qualquer detalhe é importante num jogo desses", filosofa Tite. "Precisamos também ter organização, mas talvez o mais importante seja o equilíbrio emocional. Tem muita coisa sendo disputada em um jogo único. A equipe precisa manter a tranquilidade com toda essa pressão nas costas."

Mistério resolvido. Tite treinou com Morais e Bruno César durante a semana, mas ontem se definiu. Bruno será o articulador das jogadas de ataque corintianas contra o Oeste. O meia, destaque da equipe no Campeonato Brasileiro do ano passado, recupera posição que perdeu com o treinador no início da temporada. Ontem Tite esclareceu por que não estava aproveitando o jogador, que chegou a manifestar publicamente sua insatisfação com a reserva e acabou sendo negociado com o Benfica, onde se apresenta em junho.

"Eu queria sentir do Bruno César, não só da boca para fora, que ele estava integrado aos objetivos do time. Isso se faz em campo", explicou o treinador. "Agora ele vem crescendo, jogando bem, retomando o nível de atuação do ano passado. Temos de valorizar o momento dele."

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