Corinthians muda o comportamento

Corinthians muda o comportamento

Já faz algum tempo que Corinthians e São Paulo estabeleceram um campeonato paralelo na disputa por algumas grandezas do futebol brasileiro. Até no início de temporada mais lento, longe da expectativa gerada pela Taça Libertadores da América, parecia haver uma certa competição entre esses dois gigantes.

Antero Greco, O Estadao de S.Paulo

29 de março de 2010 | 00h00

Ontem, no Estádio do Pacaembu, não houve um confronto por melhores posições na tabela de classificação, ninguém pensou nisso em campo, havia apenas rivalidade, capaz de mudar comportamentos, e de transformar a sonolência corintiana das últimas partidas em vitória. As duas equipes deixaram o campo com argumentos para explicar vitória e derrota.

O primeiro tempo foi dominado pelo Corinthians. Mano Menezes mudou a maneira de jogar do time, o que pode ser uma referência para o futuro.

Desde o ano passado, enxerga-se uma equipe com dois volantes e três meias, entre a defesa e Ronaldo. Diante do meio-campo são-paulino com Rodrigo Souto, Hernanes, Cléber Santana e Léo Lima, o treinador corintiano mudou o esquema tático, posicionando sua marcação com três jogadores acima da defesa, a exemplo do rival.

Ralf marcou Léo, Elias buscou Cléber e Jucilei, pelo lado esquerdo, dominou o espaço de Hernanes. Para piorar, a defesa corintiana não permitiu que Dagoberto dominasse a bola e partisse para cima, no mano a mano. A boa marcação mostrou um cenário de jogo determinante para o afastamento do centroavante Washington do resto do time, pelo menos até se enroscar com Dentinho e ser expulso injustamente. O corintiano, sim, mereceu a expulsão.

Washington foi sacrificado, mas involuntariamente tirou de campo um atacante agressivo, com participação nos dois primeiros gols, que tiveram início no lado mais forte da equipe de Mano Menezes, o esquerdo, justamente sobre uma marcação indecisa e indefinida, onde havia Hernanes, Jean e Alex Silva.

Na segunda etapa, o São Paulo instalou-se no ataque, voltou com Fernandinho no lugar de Léo Lima, buscando mais o duelo individual no campo corintiano. E merecendo mais. Sem Dentinho, o Corinthians recuou, perdeu posse de bola e a velocidade. Ronaldo foi se isolando, isolando, até Iarley entrar em campo aos 42 minutos e definir os discursos após a partida.

O empate teria sido mais justo com o futebol são-paulino, mas a derrota pode apontar para uma direção, para um tipo de comportamento inexistente na equipe. Foi mais um grande clássico deste Estadual, com boas lições para vencedor e vencido.

A crise palmeirense. Os problemas do Palmeiras vão além da troca de treinadores. A crise iniciada em 2009 não respeitou as férias, não terminou com a saída de Muricy Ramalho e prossegue firme, vigorosa. Antônio Carlos pretende contratar um psicólogo, acredita que um especialista em desvendar os mistérios da mente possa ajudá-lo a entender os problemas do grupo, a exemplo do que aconteceu entre o fim de sua carreira de jogador profissional e o recomeço na função de dirigente.

É uma ajuda válida, necessária, ainda distante da realidade do futebol brasileiro, mas tardia, se ela realmente vier. Do alto da efervescente arquibancada do Palestra Itália ou da frieza das estatísticas, percebe-se que nada mudou com a troca de comando. No Paulista, durante as nove partidas sob o comando de Muricy, o Palmeiras apresentou 48% de aproveitamento dos pontos disputados. Com Antônio Carlos, em oito jogos, o rendimento é de 46%.

O Palmeiras, de Muricy Ramalho e de Antônio Carlos, no papel, é melhor do que seus números na tabela de classificação. Já o ambiente é pior do que parece.

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