Corinthians não aceita assumir o Piritubão

Diretoria argumenta que valor da manutenção de um estádio desse porte compromete o custo-benefício da obra

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2010 | 00h00

A situação de São Paulo como sede da Copa do Mundo de 2014 fica mais complicada a cada dia. Além da contaminação no solo do terreno em Pirituba, onde se pretende construir uma arena, como foi revelado pelo Estado ontem, o Corinthians se recusa a adotar o estádio após a realização do Mundial. Sem a participação do clube, ganha força o discurso de que a obra se transformaria em um elefante-branco.

Até o início da Copa da África do Sul, o plano estava alinhavado. Por meio de articulações políticas, um grupo de investidores se reuniria para bancar a construção do estádio. Em seguida, a viabilidade econômica do empreendimento seria garantida com a presença do Corinthians, que mandaria seus jogos ali, o que traria grande público, receita e, consequentemente, o esperado lucro. O círculo virtuoso parecia fechado.

O processo começou a desandar na terra de Nelson Mandela. Em sua passagem pela África como chefe da delegação brasileira, o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, participou de várias reuniões que contaram com a presença, entre outros, do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, do presidente da Fifa, Joseph Blatter, e do secretário-geral da Fifa e principal crítico da preparação brasileira, Jérome Valcke.

Sanchez deixou claro que o clube já conta com projeto pronto para a construção de arena para 45 mil pessoas em Itaquera. Para aceitar mudar o plano e assumir o controle de outro estádio, o dirigente exigiu que a Fifa bancasse a manutenção do local por um certo período ou convencesse investidores a fazê-lo. "Esse novo estádio precisa ter capacidade para 75 mil pessoas, pois deverá receber a abertura da Copa (a Fifa exige 65 mil para a abertura). Você sabe quanto custa manter um estádio desse tamanho?", questionou o presidente alvinegro.

A segunda opção seria a entidade aproveitar o estádio corintiano em Itaquera, cuja obra deve começar ainda neste ano e tem término previsto para 2013. Parte da diretoria corintiana entende que essa seria a melhor saída, pois a área já está regularizada, possui espaço para a construção de estacionamento e infraestrutura de transporte, com estação de metrô e avenidas. Ainda assim, a Fifa precisaria injetar recursos. "A Fifa colocou US$ 1,6 bilhão (R$ 3 bilhões) na África. No caso de Itaquera, alguém também precisaria bancar o custo extra para ampliá-lo para 75 mil lugares. O Corinthians não pode fazer isso, pois nossa média de público está em 25 mil. Se alguém bancar esses custos, a gente pensa no caso."

Confusão. O assunto estádio tem agitado o Parque São Jorge. O Conselho Deliberativo (CD) se reúne hoje para analisar um segundo projeto, dessa vez em Guarulhos, que contaria com o suporte do banco Banif e da construtora alemã Hochtief. Os conselheiros que defendem a ideia dizem que já contam com o apoio das autoridades da cidade vizinha. Já integrantes da diretoria garantem que o grupo aproveitou a ausência de Sanchez para articular politicamente. Caberá ao diretor de marketing, Luis Paulo Rosenberg, defender o projeto de Itaquera.

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