Corinthians procura outro banco repassador

Clube estuda solicitar empréstimo a outra instituição financeira para 'destravar' impasse das obras do Itaquerão

PAULO FAVERO , VÍTOR MARQUES, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2013 | 02h08

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estadao.com.br/e/corinthians

Corinthians e Odebrecht analisaram a possibilidade de mudar o banco repassador para receber o empréstimo do BNDES de R$ 400 milhões necessário para a conclusão das obras do Itaquerão.

Devido às exigências do Banco do Brasil, clube e construtora cogitam procurar a Caixa Econômica Federal, outro banco público e que patrocina a equipe, e instituições privadas, entre elas o Bradesco e o Itaú.

Embora o BNDES já tenha liberado o empréstimo, é o Banco do Brasil quem deve repassar os R$ 400 milhões ao clube e à construtora - um fundo imobiliário foi criado para tal finalidade.

Por ter criado esse fundo, tanto o clube quanto a construtora acreditavam que o Banco do Brasil liberaria o empréstimo. Mas não foi o que aconteceu. O banco argumenta que não empresta dinheiro a clubes de futebol e exige que a Odebrecht apresente garantias de que o compromisso será honrado.

As obras do estádio que receberá a abertura da Copa do Mundo estão 67% concluídas e até agora já foram gastos cerca de R$ 500 milhões sem recursos públicos.

O dinheiro veio de "empréstimos-ponte" tomados pela Odebrecht em dois bancos privados, o Bradesco e o Santander. O problema é que esses empréstimos têm juros maiores em relação ao financiamento do Banco do Brasil (é um linha específica para estádios da Copa graças ao incentivo do BNDES).

Corinthians e Odebrecht já gastaram R$ 30 milhões somente com juros dos dois empréstimos. Em entrevista exclusiva ao Estado publicada na edição de ontem, o ex-presidente do clube e principal articulador no momento do Itaquerão, Andrés Sanchez, disse que a construtora não vai mais obter nenhum novo empréstimo e reiterou as ameaças de paralisar a obra.

"Não tem prazo especifico (de parar a obra), só que o Corinthians tem um limite de fluxo de caixa e não podemos estourar esse nosso limite, então tem poucos dias aí, poucas semanas, para chegar a um acordo."

Na verdade o clube vai esperar mais alguns dias para tomar a decisão de paralisar as obras, caso não receba o dinheiro do Banco do Brasil ou de outro banco, como já se cogita.

E a expectativa é que, uma vez liberado o empréstimo, os R$ 400 milhões sejam repassados ao clube e à construtora de uma só vez. Assim, seriam quitados praticamente os dois empréstimos já feitos.

Outro empecilho à construção do Itaquerão são os Certificado de Incentivo de Desenvolvimento (CIDs) da Prefeitura de São Paulo. É uma linha de crédito da cidade que permitirá arrecadar até R$ 420 milhões entre empresas que abateriam o valor em impostos. O próprio Andrés já disse que a vinda dos CIDs alivia, mas não soluciona o problema da falta de recursos.

Se o Corinthians parar as obras, o cronograma do Itaquerão ficará prejudicado, pois a previsão inicial é entregar o estádio no final do ano, prazo máximo estipulado pela Fifa. Só que o dirigente já avisou as autoridades sobre o problema, mas a solução ainda não foi encontrada.

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