Corinthians punido: jogará sem torcida

Conmebol decide que o time atuará com portões fechados por causa da morte do garoto boliviano, vítima de um tiro de sinalizador por torcedor alvinegro

GONÇALO JÚNIOR , RAPHAEL RAMOS , VÍTOR MARQUES, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2013 | 02h03

Em decisão cautelar de seu Tribunal de Disciplina, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) definiu, no fim da noite de ontem, que o Corinthians jogará com portões fechados durante toda a atual edição da Taça Libertadores e não poderá ter seus torcedores nem em partidas como visitante. A decisão se baseou no relato transcrito na súmula pelo árbitro equatoriano Carlos Vera.

A medida foi tomada após a morte do torcedor Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, durante a partida entre San Jose e Corinthians, em Oruro, na noite de quarta-feira. O jovem boliviano foi atingido por um sinalizador na cabeça. Segundo a Conmebol, a punição ao Corinthians é provisória, válida por um prazo máximo de 60 dias, enquanto não houver a conclusão do caso.

O Corinthians foi informado oficialmente da decisão da entidade ainda ontem - o gerente de futebol Edu Gaspar recebeu um e-mail com a notificação da Conmebol. O clube, porém, não se pronunciou sobre o assunto, apesar do contato do Estado com dirigentes e advogados.

Além do prejuízo de sua imagem, o atual campeão mundial e continental terá de lidar com um problema de ordem econômica: em balanço divulgado pelo clube na terça-feira, o Corinthians informava que 83,5 mil ingressos (de um total de 105,5 mil) para os jogos em casa já estavam vendidos.

O primeiro jogo da equipe em casa será na quarta-feira, diante do Millonarios, no Pacaembu. Para essa partida, 28,5 mil entradas do programa Fiel Torcedor já estavam comercializadas até a última terça-feira. O Corinthians ainda atua como mandante no dia 13 de março, contra o Tijuana, e diante do San Jose em 10 de abril.

Sem exclusão. O Estado apurou que está descartada a exclusão do Corinthians da Libertadores. A pena máxima seria aplicada apenas em casos extremos, na visão da entidade, como manipulação de resultados.

A repercussão da tragédia, segundo dirigentes da Conmebol, teria "obrigado" a entidade a tomar uma decisão rápida para reforçar a ideia de que o novo Código Disciplinar, criado este ano, seja eficaz.

Esse caso deve ser concluído antes mesmo do episódio da confusão entre Tigre e São Paulo, na final da Copa Sul-Americana, no Morumbi - o Tigre abandonou o jogo e deve ser punido.

O novo Código Disciplinar da Conmebol foi criado no fim de 2012 para passar uma imagem de linha dura da entidade, que deseja pôr fim à tese de que a Libertadores é um vale-tudo.

Três integrantes da Conmebol vão julgar o caso. O presidente do tribunal, Caio Cesar Vieira Rocha, não participará do processo porque é brasileiro. Quem comandará o júri será o uruguaio Adrián Leiza.

O Corinthians se defende ao dizer que a morte de Kevin foi acidental. A tese foi apresentada pelo presidente Mário Gobbi em entrevista coletiva. "Presumo que seja fatalidade, exceto que se prove o contrário, que alguém seja identificado e tenha usado de um fogo de artifício para dolosamente atingir um outro. Ou você tem essa prova de que fulano usou isso para atingir outro ou é uma fatalidade."

Doze torcedores do Corinthians suspeitos de matar Kevin foram detidos e indiciados (leia na página E2). Gobbi disse que o clube não tem relação direta com a torcida e o clube não merece ser punido por um ato de um torcedor. "Primeiro tem de apurar. Não sabemos o que aconteceu", afirmou o presidente.

Gobbi também negou que o clube tenha financiado - ou financie - viagens de torcedores das organizadas ou tenha pago os ingressos para eles.

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