Corinthians se salva no final

Time perdia para o Barueri por 2 a 0 até os 38 minutos do 2.º tempo, quando conseguiu, na raça, o empate

Giuliander Carpes, O Estadao de S.Paulo

23 de janeiro de 2009 | 00h00

Uma coisa é amistoso, outra é jogo de campeonato. O técnico Mano Menezes havia alertado aos jogadores e torcedores de que o Corinthians tinha vencido três jogos-treino sem levar ponto algum na tabela. Quando finalmente teve a oportunidade de fazê-lo, quase fracassa. Chegou a estar perdendo para o Barueri por 2 a 0, ontem à noite, no Pacaembu. Recuperou-se e empatou no finalzinho: 2 a 2. Dos grandes clubes paulistas, o Corinthians foi aquele que mais teve tempo de preparação. O elenco se apresentou ao técnico no dia 26 de dezembro e permaneceu 20 dias em Itu treinando. A pré-temporada funcionou perfeitamente. Não bastasse a tranquilidade para trabalhar, nenhum jogador sentiu lesão e o time ainda venceu todos os amistosos que fez.Tudo levava a crer que manteria a série de vitórias no Paulista, dada a empolgação da Fiel com a equipe e o bom entrosamento, fruto da manutenção do time-base de 2008. Não foi o que se viu em campo. A equipe do Parque São Jorge iniciou o jogo em cima do Barueri, atacando, a exemplo do que já havia mostrado nos jogos-treino.Pecou em alguns lances por ansiedade. Em outros, a defesa dos visitantes foi melhor. Que o diga o goleiro Renê. Aos 15 minutos, praticou um verdadeiro milagre, evitando que uma bola cabeceada pelo zagueiro Chicão no ângulo virasse o gol de abertura do placar. Os nervos prejudicaram a equipe corintiana. Depois de Elias fazer uma falta desnecessária na intermediária, o Barueri mostrou as garras. Com calma e paciência, executou uma bela troca de passes até o artilheiro Pedrão aparecer livre na frente de Felipe - o atacante estava em posição de impedimento - para marcar aos 22 minutos. Se já estava tenso antes do gol, depois a ansiedade só aumentou no lado alvinegro.Douglas esteve bem vigiado. Pouco conseguiu fazer contra a compacta defesa adversária. A grande esperança corintiana na ausência do astro Ronaldo saiu vaiado de campo. "O Barueri marca muito bem", admitiu. No segundo tempo, nova bobeada corintiana. Num lance fortuito e, mais uma vez desnecessário, Chicão subiu com os cotovelos nas costas de Leanderson. Falta. Dentro da área é pênalti. E Pedrão fez o segundo do Barueri na noite. Tudo parecia mesmo conspirar contra o time da casa. Restava a velha "tática" do abafa. O Corinthians definitivamente não se entrega. Aos 38 minutos, foi a vez de o juiz Milton Etsuo Ballerini inventar a favor do clube do Parque São Jorge. William simulou ter sofrido um chute na cabeça do zagueiro adversário dentro da área. O árbitro acreditou na encenação do capitão corintiano. Marcou pênalti que Chicão converteu. Era o que faltava para incendiar a Fiel. Aos gritos de "não para, não para, não para", o time foi para cima. Com o apoio das arquibancadas o Corinthians é capaz de façanhas no Pacaembu. Não foi diferente na noite de ontem. E Jorge Henrique caiu de vez nas graças da torcida ao empatar aos 43 minutos, aproveitando cruzamento de Otacílio Neto. O atacante havia entrado no jogo no lugar de Elias. "O Corinthians é isso. A gente tem de superar tudo", disse Jorge Henrique, o novo xodó do time. As vaias deram lugar aos gritos. De alívio. Quase foram de delírio dois minutos mais tarde. Outro cruzamento, desta vez de Saci, na cabeça de Souza. Novo milagre de Renê. A bola bateu no goleiro, na trave, no centroavante e não entrou. Seria demais. Muita emoção para o jogo de estreia. O Corinthians ainda promete. Nos próximos 29 dias terá sete jogos pela frente. Mano Menezes agora pensa em acertar o time para enfrentar o Bragantino, domingo. O adversário do fim de semana venceu ontem o Botafogo, fora de casa, por 4 a 2.

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