Corinthians sobrevive na montanha

Nos 3.700 metros de altitude de Oruro, time paulista supera as dificuldades com a 'falta de ar', sai na frente com Guerrero e cede empate ao San Jose

VÍTOR MARQUES, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2013 | 02h04

A altitude de 3.700 metros de Oruro tirou do Corinthians uma vitória na estreia na Libertadores, contra o San Jose, na Bolívia. O atual campeão 'morreu' no segundo tempo, nem as entradas de Renato Augusto e Pato evitaram o placar de 1 a 1, em jogo válido pelo Grupo 5.

O grande erro, no momento em que o fôlego já tinha ido embora, foi a má pontaria de Emerson Sheik. Pouco antes de sair no segundo tempo, ele perdeu duas chances claras de gol, numa delas carimbou a trave, já sem goleiro, e na outra, chutou mal, para fora, torto. Em jogos como esse, oportunidades assim são raras, essas falhas custaram caro.

Especialmente porque o começo foi promissor. Para jogar na altitude, sair na frente do placar parece a melhor solução. O quanto antes isso acontecer, melhor. Guerrero escorou para o gol cruzamento de Fábio Santos com cinco minutos de jogo. Foi a condição necessária para o Corinthians, a partir daí, controlar o primeiro tempo. Mesmo sem ficar com a bola.

O San Jose queria atacar pelo meio, enfiando uma bola por de atrás da defesa, mas não conseguia. Também não levava perigo em nenhum chute de longe, salvo num chute de Saucedo. E pelo alto, o time parava na linha de impedimento.

O Corinthians assistiu a tudo isso e teve como ambição de deixar o tempo passar com um único objetivo: não se cansar. Não houve mais nenhuma triangulação como no gol de Guerrero, que virou um centroavante solitário em todo o primeiro tempo.

Tite manteve o time que considera ideal, o que empatou contra o Palmeiras, mas sem aquela intensidade habitual - Jorge Henrique foi mais um jogador de meio de campo, um quarto homem, que de ataque.

Quando Danilo não conseguia segurar a bola e dosar o ritmo de jogo, Paulo André e Gil cortavam qualquer contra-ataque com chutões. A zaga deu segurança a Cássio que, atento com os chutes de longe, aprendeu a jogar tão bem a Libertadores ganhando tempo com cera.

Na volta do intervalo, a história do jogo mudou. E o foi pior para o Corinthians. Jorge Henrique se machucou. Foi quando o time, que ainda acertava a marcação pelo lado direito da defesa, sofreu o empate. Garcia ganhou de Alessandro foi a linha de fundo e cruzou para Saucedo, que ganhou de Fábio Santos e fez o 1 a 1, aos 15 minutos.

Vieram as chances perdidas por Emerson, a entrada de Renato Augusto e de Alexandre Pato. Mas o Corinthians parou. Cansado, era um time entregue. Paulo André também precisou ser substituído.

Alexandre Pato nem sequer pegou na bola e não construiu uma jogada que levasse perigo ao gol do San Jose.

O Corinthians passou a dar espaço para contra-ataques, e correu risco de sofrer a virada, o que seria até de certa forma injusto.

Foi um início como em 2012, com um empate, que vale muito na altitude, porque Tite não conseguiu fazer com que o Corinthians encaixasse seu jogo de velocidade e de toque de bola.

Essas características devem retornar na próxima rodada, quando o Corinthians, favorito, recebe o Millonarios, da Colômbia, no Pacaembu.

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