Corinthians testa 'alma' na estreia

Contra o Táchira, hoje à noite, na Venezuela, campeão brasileiro põe em campo grupo sem estrelas, mas experiente para evitar clima de obsessão pelo título

VÍTOR MARQUES, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2012 | 03h03

O Corinthians se reencontra hoje com a sua eterna obsessão, a Libertadores, tentando transformá-la numa competição como outra qualquer. "A Libertadores é pequenininha perto do Corinthians", disse o novo presidente Mário Gobbi.

A estreia diante do Deportivo Táchira, às 22 horas (de Brasília), na Venezuela, evidencia os sinais desse novo comportamento, defendido pela comissão técnica e pela diretoria.

Ninguém fala em favoritismo, como foi no ano do centenário. E o fiasco diante do Tolima ainda está fresco na memória. Ao contrário de outras edições, a aposta desta vez é na força do grupo. É no time que, segundo Tite, tem "alma". Nenhuma estrela foi contratada para se juntar ao campeão brasileiro. O principal reforço, por exemplo, estará no banco: o meia Douglas.

As últimas participações do clube foram marcadas pela presença de astros, como Carlitos Tevez (2005) e Ronaldo e Roberto Carlos (em 2010 e 2011). Mas há uma ironia: o jogador que foi contratado para ser o "cara" da equipe mal jogou desde que chegou ao clube: Adriano, que nem sequer viajou e continua fora do time (leia matéria abaixo).

O Corinthians "galáctico" das Libertadores virou o Corinthians "operário" de Tite. Trata-se do comandante que tem o grupo nas mãos e põe titulares no banco sem cerimônias e que sobreviveu ao fracasso decorrente da eliminação frente ao Tolima. Tite diz que, agora, o time tem de mostrar que está mais maduro porque entra na sua terceira participação consecutiva.

"Não podemos jogar numa Bombonera e ver a bola ficar queimando no nosso pé", disse numa de suas várias entrevistas no CT, citando o temido estádio do Boca Juniors, que por sinal volta à competição neste ano.

O elenco que estreia na Libertadores é basicamente o que venceu o Brasileiro. Todos os titulares foram mantidos. Este é outro ponto importante realçado por Tite. Segundo ele, a derrota para o Tolima, na fase pré-Libertadores, deveu-se, em parte, à saída de alguns jogadores importantes do time.

"Nós disputamos a Libertadores 2011 sem um mínimo de ajuste físico, impossível pelo tempo (de treinamento), e técnico, pela saída do Elias, do William."

Preparação. Já neste ano, Tite realizou uma longa pré-temporada no CT, disputou amistosos preparatórios e poupou seus principais jogadores em algumas partidas do Paulistão. O Corinthians chega à estreia com moral depois de ter vencido o clássico contra o São Paulo. Os poupados Alex, Emerson e Liedson voltam ao time.

Tite, por outro lado, procura manter a calma. Diz que o time ainda não está pronto e prevê uma equipe melhor técnica e fisicamente mais para frente - a fase de grupos termina em 18 de abril.

Além do venezuelano Táchira, o Corinthians tem outros dois rivais no grupo 6: o Nacional, do Paraguai, e o Cruz Azul, do México - ambos se enfrentaram pela primeira rodada e deu Cruz Azul: 2 a 1, fora de casa.

Como nenhum dos três é um bicho-papão, o Corinthians tem como meta ficar em primeiro da chave. "O Corinthians é um time de raça, dedicação e vibração", analisa Emerson, parceiro de Liedson no ataque na estreia de hoje à noite.

O elenco faria ontem à noite um treino de reconhecimento do gramado do estádio Pueblo Novo, palco da partida contra o Táchira.

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