Corinthians tira de letra pressão da Bombonera

Jogadores brasileiros se mostram frios para encarar e suportar o tradicional caldeirão do Boca Juniors

FÁBIO HECICO, ENVIADO ESPECIAL , O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2012 | 03h01

BUENOS AIRES - Pueblo Nuevo, na Venezuela, George Capwel, no Equador, São Januário, Vila Belmiro e agora a tão famosa, amedrontadora e mística La Bombonera. Os jogadores corintianos mostraram ontem frieza fora do comum e deixaram claro que não temem qualquer que seja o caldeirão. Barulho não faz tremer um time tão experiente, apenas o incentiva. Um time, aliás, que aprendeu em casa como suportar a pressão.

Se muitos duvidavam que ele conseguiria suportar a "força das arquibancadas" dos argentinos e que seria derrotado por causa da gritaria, ele provou, mais uma vez, o gelo que o fez chegar invicto à decisão. Até mesmo para buscar o empate após sair atrás com gol de Roncaglia.

Desde a entrada dos goleiros ao campo para o aquecimento, às 21h02, as vaias e ofensas dos boquenses eram intensas e ensurdecedoras. Ao lado de Júlio César, Cássio, o homem gelo, ainda foi para entre as traves erradas, justamente onde ficam os mais fanáticos torcedores, os famosos Barra Bravas. Ele parecia estar no cinema para ver um filme de ação ou comédia.

Nem para o lado olhou. Depois, sim, deu uma erguida de olhos para as arquibancadas, enquanto atravessava o campo. Apenas para cumprimentar os corintianos.

Defendeu bolas, cruzamentos e deixou o campo na maior calmaria. A mesma presenciada pelo time pouco depois das 21h30, quando chegou sua vez para aquecimento. Teve gente que não se importou nem em buscar bola na beirada do campo, colada na turma do alambrado, como Emerson e Jorge Henrique.

Na hora da entrada para valer em campo, com festa, esta sim de arrepiar dos argentinos, nova demonstração de que o Corinthians aprendeu a jogar a sua obsessão de 102 anos.

Enquanto Danilo disputava na medalhinha quem ganharia a saída de bola, Alex abraçava e batia papo longo com Clemente Rodríguez, como se fossem amigos de longa data. Ralf "conversava" com Deus, rezando de olhos fechados e braços erguidos.

Com a bola rolando, a mesma seriedade e concentração. E, ali, na "cancha", a meta era mostrar que a Bombonera não assusta, tampouco a cara feia dos jogadores. Emerson e Alessandro chegaram a trocar empurrões com os rivais. O atacante ainda cavou amarelo para dois oponentes, um deles Riquelme.

Susto. Paulinho foi além. Jogada individual e um susto aos mais de 40 mil presentes com chute perigoso defendido por Oriol. Castán, Chicão e Fábio Santos não tiveram vergonha de chutar para o mato e depois reposicionar a defesa, mas o time também soube trocar passes. E driblar. Castán até chapéu deu. A equipe foi fria, mas também teve vibração. Por vezes apareceu um defensor, de punho cerrado, vibrando após cortar um lance.

Depois de 90 minutos de concentração na bola, no fim, sim, eles olharam para o alto, para agradecer o apoio dos corintianos presentes. Para ficar completo, falta apenas saber que as arbitragens do continente não dão falta em simples esbarrão. E esta calma será necessária daqui uma semana no Pacaembu.

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