Corinthians tropeça e se complica

Time tem atuação decepcionante e não passa de um 0 a 0 contra o Tolima, no Pacaembu, resultado que o obriga a vencer ou empatar com gols na Colômbia

Bruno Deiro, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2011 | 00h00

O Corinthians da Taça Libertadores ontem à noite, no Pacaembu, foi o mesmo do Campeonato Paulista. No empate sem gols contra o Deportes Tolima, da Colômbia, o time de Tite repetiu a falta de criatividade e a apatia que têm deixado a torcida apreensiva no Estadual. Desperdiçou a chance de fazer bom resultado em casa e tornou as coisas mais complicadas. Mesmo assim, na próxima quarta, em Ibagué, basta um empate com gols ou uma vitória simples para que a equipe corintiana avance à fase de grupos da competição.

Com os ingressos a R$ 80, o Pacaembu recebeu menos de 30 mil torcedores e não chegou a ser o caldeirão esperado. E o público viu um jogo pouco movimentado. O Tolima soube se defender e até poderia ter vencido o Corinthians, que não conseguiu atacar e levou sustos na defesa. "Falou-se tanto dessa eliminatória, mas o que o Tite disse é verdade: é um jogo de 180 minutos. Tivemos muitas dificuldades, mas não podemos nos desesperar", afirmou Roberto Carlos. "Tem outro jogo lá, vamos nos concentrar mais para conseguir a classificação."

Até hoje, todos os times brasileiros que disputaram a pré-Libertadores conseguiram avançar à fase de grupos.

O Corinthians tentou evitar a precipitação na parte inicial da partida e quis acuar o Tolima aos poucos. A falta de Elias, que foi para a Espanha após o Brasileiro, foi sentida e o trio com Bruno César, Dentinho e Jorge Henrique não se entendeu. O excesso de passes errados deixou a defesa corintiana vulnerável.

O Tolima não soube aproveitar a linha de impedimento e, quando conseguiu, foi prejudicado pela arbitragem. Aos 24, Murillo saiu na cara de Júlio César, driblou o goleiro e mandou para a rede. O juiz, equivocadamente, marcou impedimento.

O lance mexeu com o Corinthians, que quase abriu o placar no lance seguinte. Em cruzamento de Bruno César, Jorge Henrique entrou de cabeça pelo meio da zaga do Tolima e a bola passou muito perto. A jogada aérea com o baixinho atacante, que já havia salvado a equipe no empate com o Bragantino (1 a 1)pelo Paulista, foi a melhor chance do time corintiano na partida.

As vaias tímidas na saída para os vestiários foram encobertas pelos gritos de apoio. "Temos de melhorar, jogar mais na frente. Porque jogar na casa deles será mais difícil", disse Dentinho. "Chutamos pouco a gol, precisamos agredir mais para abrir espaço", afirmou Tite.

Na volta do intervalo, a torcida gritou alto para receber o time. Com menos de um minuto, porém, um chute de Vallejo passou muito perto e deu mais um susto. O Corinthians seguiu na mesma toada sonolenta e só acordou a partir dos 30 minutos, quando ensaiou uma pressão. Desorganizado, abusou dos cruzamentos pelo alto, que eram facilmente rebatidos pela defesa colombiana. Em chutes de longa distância, faltava pontaria.

A torcida, sentindo que eram as últimas oportunidades, empurrava cada ataque. Mas o nervosismo atrapalhou e nenhum lance claro de gol efetivamente foi criado. Aos 41, na chance derradeira, uma cobrança de falta de Chicão que tocou na rede pelo lado de fora fez metade do estádio vibrar. O lance, porém, só aumentou a decepção da torcida, em mais uma noite sem brilho do time de Tite em 2011. As vaias da Fiel depois do apito final foram inevitáveis.

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