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Luciano Rossi/EFE
Luciano Rossi/EFE

Corinthians usa a base para fazer dinheiro

Modelo de transferência de Marquinhos vai ser adotado em negociações com jovens jogadores

VÍTOR MARQUES, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2012 | 03h05

SÃO PAULO - Considerado um dos jogadores mais promissores que surgiram nas categorias de base do Corinthians nos últimos anos, o zagueiro Marquinhos fez nesta quarta-feira, 22, seu primeiro treino na Roma.

Abrir mão de um talentoso atleta de 18 anos pode parecer um contrassenso num clube que admite dificuldades em revelar talentos por falta de estrutura - não há um CT específico para os garotos.

Mas um modelo de transferência pouco comum fez o Corinthians aceitar o negócio. O garoto assinou contrato de empréstimo por um ano com a Roma, mesmo clube que contratou Leandro Castán e levou grátis o lateral-esquerdo Dodô.

Se Marquinhos for bem nesse período, considerado de 'experiência', a Roma poderá exercer a prioridade de compra - o valor dos direitos econômicos está fixado. Se isso ocorrer, o Corinthians ainda manterá 10% do atleta para lucrar numa futura venda.

"É um sistema de negociação que pensamos implantar no Corinthians. O Marquinhos é o primeiro", disse o gerente de futebol Edu Gaspar.

Segundo ele, todos saem ganhando: o Corinthians, porque os valores de empréstimo são altos para os padrões brasileiros; a Roma, que contrata uma promessa; e o jogador, que tem a chance de atuar num clube de ponta da Itália e adquirir experiência.

Lucros. Marquinhos foi emprestado por um ano por 1,5 milhão (cerca de R$ 3,7 milhões). Para adquiri-lo em definitivo a Roma terá de desembolsar mais 3 milhões (R$ 7,5 milhões) - isso se ele disputar pelo menos oito jogos no time profissional e atuar pelo menos 45 minutos nessas partidas, segundo informou o site oficial do clube italiano.

O Corinthians afirma que nenhum clube brasileiro pagaria um valor como esse por um empréstimo de Marquinhos. E que, para o jogador, é melhor ir para Roma, mesmo sendo reserva, do que se aventurar em uma equipe de menor expressão do Brasil.

"Mantenho contato com o Arsenal, da Inglaterra, que foi um clube onde joguei. Podemos emprestar para eles um jogador, também jovem, por seis meses."

GERAÇÃO CAMPEÃ

Basicamente o Corinthians tenta ganhar dinheiro sem de desfazer da geração que conquistou a Copa São Paulo 2012, em janeiro.

O zagueiro Antônio Carlos e o meia Giovanni são outros exemplos que se enquadram nesse perfil. Como eles não têm espaço no elenco, podem ser negociados.

Até mesmo dirigentes ligados às categorias de base do Corinthians entendem que não há outra saída porque, segundo eles, é difícil emplacar garotos da base no time de cima quando o momento é bom.

Os cartolas citam as conquistas do Campeonato Brasileiro e da Libertadores e o fato de o elenco ser experiente, além da contratação de jogadores como o atacante peruano Paolo Guerrero e o meia argentino Martinez.

Apesar disso, a construção do CT para as categorias de base, ao lado do complexo onde treinam os profissionais, continua de pé. Um dos desejos do presidente Mário Gobbi é entregar a obra concluída ao final de seu mandato no clube, daqui a dois anos e meio.

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