Corinthians vira barril de pólvora

Edson e Rosinei, na mira da torcida, podem deixar o Parque São Jorge

Fábio Hecico, O Estadao de S.Paulo

02 de outubro de 2007 | 00h00

O Corinthians é um barril de pólvora prestes a explodir. Além da enxurrada de revelações contra dirigentes a partir de escutas telefônicas da Polícia Federal, da possibilidade de queda no Campeonato Brasileiro e da disputa política, agora a guerra atingiu jogadores e torcida. Após os protestos de fãs ocorrido no domingo, no Parque São Jorge, o elenco assumiu: está com muito medo de represálias. Edson e Rosinei, os mais visados, cogitaram pedir rescisão. O lateral ganhou dois dias para pensar no que fazer, enquanto o meia desapareceu.O contra-ataque da diretoria em relação à torcida veio imediatamente. Em reunião com o empresário de Edson, Nick Arcuri, foi garantida total segurança ao jogador para que possa cumprir contrato, que vai até dezembro. A garantia vale para todos os integrantes do grupo.''''O Edson pediu dois dias para resolver questões particulares e não vimos problemas em liberá-lo'''', afirmou o supervisor de Futebol, João Roberto de Souza. ''''Já o Rosinei não ligou para dar explicações e, a princípio, terá o dia de trabalho descontado'''', garantiu. ''''Mas sem rescisão, vamos dar respaldo.''''Os dirigentes afirmam não estar dispostos a ficarem reféns dos torcedores. No dia 16 de fevereiro de 2005, após jogo com o Sampaio Corrêa (vitória por 3 a 0 no Pacaembu), o lateral Vinícius, o Fininho, teve de deixar o clube por se desentender com a torcida. O mesmo aconteceu em fevereiro deste ano. O zagueiro Marquinhos recebeu ameaças de morte após derrota por 3 a 1 para o São Paulo e não agüentou: pediu o boné.A dupla era formada no clube, como Edson e Rosinei. Na história, Edilson e Vampeta, depois da Libertadores de 2001 e Rivellino, que saiu em 74, também foram vítimas de cobranças da torcida. Em todos esses casos, a ruptura ocorreu depois de derrota para o Palmeiras.Edson passou o dia com os pais, no ABC, tentando convencê-los de que não corre risco. ''''Os pais do Edson, assim como ele, estão bastante assustados'''', afirmou Nick Arcuri. ''''Mas ele não vai desistir, sabe que a pressão faz parte do Corinthians e garante que, se o Nelsinho precisar, vai jogar'''', adiantou. ''''O Edson garantiu que em nenhum momento mandou beijinhos para o torcedor, apenas olhou para ver quem o estava xingando. Estão querendo colocá-lo contra toda a torcida e contra o clube. Não vão conseguir.''''Arcuri ainda usou o mercado fechado para justificar que não haverá rescisão. ''''Não tem um clube para onde ir. Ele sabe dos riscos da profissão, mas o clube deu respaldo e segurança.''''O ex-volante Bernardo, agora empresário, ficou surpreso ao saber que Rosinei, seu cliente, não apareceu no Parque São Jorge. ''''Vou tentar conversar com ele, ver o que aconteceu, afinal, o momento não é bom'''', enfatizou. ''''Ele não vem jogando e sofre com a pressão. Precisamos pensar no que fazer.''''O vice-presidente Antoine Gebran vai conversar hoje com o técnico Nelsinho, na viagem para o Rio, para saber qual atitude tomar com ambos. Devem seguir treinando com o grupo.Mais Corinthians na pág. 2

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