José Patrício/AE
José Patrício/AE

'Corinthians x Chelsea vai dar jogo', garante Tite

Ele diz que não é hora de pensar no Mundial, mas garante que a esperada final no Japão, se ocorrer, será bem equilibrada

Entrevista com

FÁBIO HECICO, VÍTOR MARQUES, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2012 | 03h04

SÃO PAULO - Tite sabe que está muito perto de se tornar o maior treinador da história do Corinthians. Não nos números, mas com as maiores conquistas. Já eternizado no coração do torcedor pelo título da Libertadores, ele agora espera fechar a trinca - também ergueu a taça do Brasileiro - com o Mundial do Japão, em dezembro. Mas faz de tudo para não menosprezar o Nacional e evita ao máximo falar da competição do fim do ano. Porém, garante que o torcedor corintiano pode ter mais esperanças do que os santistas diante do Barcelona. "Vai dar mais jogo", disse, ao Estado.

É possível deixar de lado o Mundial de Clubes e sonhar em vencer também o Brasileiro?

Não dá para responder isso, é humanamente impossível. Vou dar dois, três motivos. Antes de começar a Libertadores, eu falei: ela, tecnicamente, pode ser igual ao Brasileiro, mas não é mais difícil. Veja o nível técnico das equipes, tu vais jogar contra Vasco, Cruzeiro. É um grau de dificuldade altíssimo. O que tem (na Libertadores) é um componente emocional e decisivo que é muito importante. É uma catimba. É muito difícil jogar contra alguns times. Contra o Boca, eles te provocam o tempo inteiro, talvez eles saibam que o brasileiro é um pouquinho esquentado e que revida, parecem que eles fazem isso consistentemente, inclusive comigo. O lance do Riquelme foi comigo. É para causar tumulto, o revide, eles têm essa capacidade e depois do jogo eles te cumprimentam como se nada fosse.

Falando nisso, parece que o Boca escolheu o Emerson como "é esse o que nós vamos tirar do jogo", eles provocaram o Sheik lá e aqui. Você fez algum trabalho especial em cima dele?

Não, especificamente, mas de forma geral. Eles sabiam que o Emerson tem essa impulsividade. É um cara muito competitivo, e eu prefiro ter um cara competitivo a ter um cara que preciso estar toda hora (falando): 'vamos, compete'. Às vezes ele passa do ponto, mas prefiro um jogador acelerado e (de ter) segurá-lo, a um melancólico que você tem que acender um fósforo, uma tocha na bunda toda a hora para ele acelerar.

Você disse que é impossível fazer previsões, por quê?

Porque os últimos dez jogos é que vão dizer. Hoje a meta é o G-10 e se aproximar do G-8.

Mas você tem como meta chegar bem no Mundial?

Sim, um nível de competitividade alto, com os atletas com saúde, sem aquela coisa de ir para o treino e me dói o tendão, ou voltando de lesão.

Quando você irá poupar os atletas no Brasileiro para jogar o Mundial?

Depende muito do momento, das circunstâncias que estamos, depende da tabela, depende do momento técnico.

Muito se falou, em 2011, que o Santos 'abandonou' o Brasileiro e chegou no Mundial sem ritmo. Você usa isso como exemplo?

O que tenho de regra é que nas últimas 12 rodadas do Brasileiro a gente vai ver pelo que vamos brigar. Fora isso é pegar pequenas etapas. Por exemplo, a gente começa a livrar os pontos da zona de rebaixamento. Tem gente que fala, 'ah, Tite, mas isso é normal'. Normal para quem não vive o dia a dia, para quem não entra numa competição e vê a tabela: 'tô' na zona de rebaixamento. É uma pressão grande, que te tira confiança, e sem confiança não tem desempenho; sem desempenho não tem resultado. Agora o objetivo é consolidar o G-10 em duas, três rodadas dá pra chegar no G-8. Você começa a estabelecer pequenas metas.

Essa é a sua maneira de estimular o grupo?

Claro, perfeito, absolutamente correta essa linha de raciocínio. E não só para os atletas, é para mim, para o ser humano, quando tu colocas objetivo muito longe, não crias estímulo; pequenos objetivos mais próximos, tu consegues acelerar, nem que seja fugir do inferno.

Ou seja, não dá para pensar no Mundial agora?

Não, não gosto de esconder fatos, conversei isso com todos, não só com os atletas, com o staff todo: gente, olha só onde nós estamos, tem que trazer isso pra cima. Dos três maiores títulos, dois conquistamos, Libertadores e o Brasileiro. O Mundial é só no final do ano, o que nós vamos fazer aqui? Estabelecer essas metas são fundamentais.

O que esperar de Guerrero e Martinez?

Do Guerrero, retenção na frente, bola aérea, finalização, de bico a bico da área, não é um pivô estático, é um pivô móvel, e sem a bola é competitivo, com a cara do Corinthians. O Martinez pode jogar mais pelos lados, eventualmente central.

Com a chegada dos dois e a saída de Alex, além do Castán, você pensa em mudar a maneira de a equipe jogar?

Na verdade, temos um sistema com três variações, o 4-2-3-1 que a equipe se ajustou, com dois de velocidade e um nove, ou dois de armação e um nove, ou sem nove, com dois de movimentação, que foi como nós fomos campeões (da Libertadores). Assim passamos pelo Vasco, pelo Santos e pelo Boca. Tite, mas tu não botaste um centroavante? Se perdesse, ia cortar tua cabeça, mas não foi o que queria, foi o que a equipe estava demonstrando no campo, tinha como desempenho.

O Inter perdeu para o Mazembe, no primeiro jogo do Mundial, e o Santos foi goleado pelo Barcelona na final. É possível aprender com essas derrotas?

Vou dizer uma coisa, as pessoas (a imprensa) pegaram muito pesado com o Santos. Qualquer equipe mundial que pegasse o Barcelona não iria fugir daquilo. O Real Madrid, que investe caminhão de dinheiro, não teve um enfrentamento, naquele momento, do Barcelona. Naquele estágio, ia ser muito, muito, difícil vencer. O Abel comentando comigo depois que a gente conquistou a Libertadores, falou: 'Tite, agora o jogo mais difícil é o primeiro, a tensão é grande'.

Corinthians e Chelsea, como todos esperam que aconteça na final, vai dar mais jogo que Barcelona e Santos?

Não sei, porque nem o Chelsea está assegurado na final, nem nós (fazem um jogo antes).

Você chegou a ficar irritado com algumas comparações entre Corinthians e Chelsea...

Porque, nas comparações que algumas pessoas fizeram, a equipe que era menos badalada em relação as outras era o Chelsea. Nesse quesito, estava correto, porque o Corinthians era menos badalado que outros, sem maiores estrelas e tal. É uma equipe toda, não a sua proposta de jogo, a sua forma de atuar. Mas talvez se tu contra o Barcelona farias aquilo, talvez sim.

Quão distante é o sonho de vencer o Mundial?

A resposta eu dou e falo do Abel e do Inter porque era uma equipe tecnicamente inferior. Não sei quantificar em números, mas o Barcelona era bem superior e o Inter foi campeão com gol do Gabiru. O Abel teve felicidade estratégica no jogo, sempre com dupla sobra, amarrou e o Barcelona não conseguiu puxar o contra-ataque.

Mas se jogassem hoje Corinthians e Chelsea, haveria uma diferença técnica brutal de jogo?

Não sei como está o Chelsea... vai dar mais jogo.

Essa é a sua expectativa?

Vai dar mais jogo.

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