Corintianos apedrejam ônibus. Tensão continua

A Fiel apertou o cerco contra o time que tanto ama, mas que a deixou furiosa pela forma como foi eliminado da Libertadores. As mais fortes manifestações contra os jogadores ocorreram ontem, quando houve até confronto com a polícia - que precisou usar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a turba.

Paulo Galdieri, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2011 | 00h00

Durante quatro horas, cerca de 400 manifestantes, dentre eles membros de torcidas organizadas, torcedores comuns e até mulheres e crianças ficaram na porta do CT Joaquim Grava mostrando novamente o tamanho da insatisfação com o vexame na Colômbia. Chegaram vestindo uniformes e colaram nas paredes da fachada faixas com frases que iam do tom cômico ("com Andres, sem chances") ao ameaçador ("ou sai pelo amor, ou sai no terror").

A intenção inicial não era causar danos materiais. Porém, ao verem o ônibus embicando para entrar no CT, os torcedores se exaltaram. Cercaram o veículo e começaram a dar murros e pontapés. Alguns arremessaram pedras e usaram varas de bambus das bandeiras para acertar os vidros. E mesmo após o veículo entrar, as agressões não cessaram. Os mais exaltados tentaram derrubar o portão principal, que acabou danificado por causa dos chutes.

Ronaldo foi alvo principal da revolta. Descontentes com seu desempenho, torcedores ordenaram que deixe o clube. Desejaram o mesmo para Roberto Carlos e exigiram do presidente Andrés Sanchez, a vitória hoje contra o Palmeiras.

A Polícia Militar revidou. De dentro do CT, arremessou bombas de gás lacrimogêneo. Alguns, sem conseguir ver os atletas, começaram a teorizar que haviam sido enganados pelo clube. Acreditavam que o ônibus teria chegado vazio, e que o elenco corintiano treinava em outro local. Só quando Chicão apareceu lá longe e, em seguida, o restante do time, é que os ânimos se acalmaram.

Protesto adiado. A torcida se dispersou espontaneamente logo após uma reunião realizada ali mesmo, em que os líderes dos grupos resolveram ir embora para evitar confronto com o Batalhão de Choque da PM, que estava a caminho.

Porém, prometeram repetir a dose de protestos hoje, durante o clássico. "No Pacaembu eles não escapam", gritavam cerca de 20 torcedores, que foram os últimos a deixar o local, por volta do meio-dia.

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