Corintianos continuam presos na Bolívia

Justiça não aceita pedido de liberdade provisória dos 12 torcedores acusados pela morte do jovem Kevin Espada

RAPHAEL RAMOS, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2013 | 10h13

Em julgamento realizado ontem, a Justiça boliviana rejeitou o pedido de liberdade provisória aos 12 corintianos que estão presos em Oruro desde o dia 21 de fevereiro acusados pela morte de Kevin Beltrán Espada, de 14 anos. As investigações prosseguem e, de acordo com as leis bolivianas, a prisão preventiva pode durar até seis meses.

Em São Paulo, aproximadamente 150 pessoas participaram ontem, no início da tarde, de um protesto na frente do Consulado da Bolívia, na Avenida Paulista, com o objetivo de pressionar a Justiça do país vizinho a não só conceder a liberdade provisória dos 12 corintianos presos, mas a arquivar o processo contra eles.

Além da calçada, eles ocuparam por uma hora uma das faixas da avenida no sentido do Paraíso. Carregando bandeiras e faixas, os torcedores gritaram "Queremos liberdade" - assim como o nome de cada um dos 12 presos - nove deles são associados da Gaviões da Fiel e três da Pavilhão Nove.

O presidente da Gaviões, Antônio Alan Souza Silva, mais conhecido como Donizete, tentou uma audiência com o cônsul-geral boliviano, Jaime Valdivia Almanza, mas como não foi atendido entregou uma carta a funcionários da representação do país na qual critica o Judiciário da Bolívia. "É inconcebível que uma nação que zela pelos direitos humanos conduza dessa maneira o caso, já que o autor do incidente se apresentou", diz o documento.

O consulado comprometeu-se a levar a carta à Embaixada em Brasília e solicitar que seja encaminhada às autoridades competentes na Bolívia no máximo até segunda-feira. O presidente da Gaviões também atacou o governo brasileiro por, segundo ele, ser omisso. "Este não é um movimento só da torcida do Corinthians. São 12 brasileiros que foram presos aleatoriamente."

No dia 2, o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, em visita a Cochabamba se encontrou com o presidente boliviano Evo Morales e pediu a "garantia do direito de defesa dos brasileiros." Se os corintianos não voltarem para o Brasil nos próximos dias as torcidas prometem organizar uma caravana para protestar na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Dizendo estar orientado pelo advogado, o presidente da Gaviões não quis comentar a participação de um outro torcedor no disparo do sinalizador que matou Kevin. Em entrevista, o advogado da Gaviões, Ricardo Cabral, identificou esse segundo torcedor como sendo Cristiano Rocha de Miranda, o Magrão.

Amistoso. Ontem, o Jornal Nacional, da Rede Globo, informou que Brasil e Bolívia se enfrentarão em Santa Cruz de La Sierra no dia 5 de abril. A renda da partida será revertida à família de Kevin. "É uma causa nobre. Isso não devolve a vida do garoto, mas é uma homenagem do futebol brasileiro à memória dele, e uma ajuda à família", disse José Maria Marin, presidente da CBF, ao O Globo.

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