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Corintianos presos apostam em vídeo para identificar o autor do disparo

Os 12 torcedores esperam por imagem de tevê boliviana que ajuda a mostrar quem manipulava o sinalizador

GONÇALO JÚNIOR e RAPHAEL RAMOS, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2013 | 02h04

SÃO PAULO - Um vídeo da emissora boliviana Zona Deportiva que mostra um dos torcedores corintianos atirando o sinalizador que matou o torcedor Kevin Douglas Beltrán, mas fugindo imediatamente das arquibancadas, transformou-se na grande esperança de liberdade dos 12 corintianos presos em Oruro.

De acordo com o ministro conselheiro da embaixada brasileira na Bolívia, Eduardo Saboya, que teve contato com o grupo, todos querem colaborar com as investigações bolivianas.

"Eles reclamaram que não tiveram acesso às imagens para que pudessem ajudar a identificar o autor do disparo do sinalizador", disse o diplomata.

Apesar de alegarem inocência e reafirmarem que o culpado pelo disparo já voltou ao Brasil, todos os torcedores foram indiciados por homicídio culposo e ontem foram transferidos para a penitenciária de Oruro. Dois deles são acusados como autores porque foram presos com vestígios de pólvora nas mãos e sinalizadores similares ao que matou Kevin Douglas; os outros dez são acusados como cúmplices.

Na segunda-feira, o defensor público Jaime Luiz Flores - acompanhado de um advogado da embaixada brasileira - vai entrar com um recurso para suspender a prisão preventiva. Mesmo que seja acatado, os torcedores deverão ficar na Bolívia até o fim das investigações, que podem levar seis meses.

Um dos presos é Tadeu Macedo Andrade, um dos líderes da Gaviões da Fiel e que chegou a comandar informalmente a torcida em 2012. Tadeu foi o mais votado para o Conselho Deliberativo. De acordo com membros da torcida, sua presença pode contribuir com as investigações.

Nesta sexta-feira os corintianos reclamaram de falta de banho. "Eles estão nervosos e abalados, e reafirmam que são inocentes", diz Eduardo Saboya.

Cuidado

As imagens de tevê se tornaram peça importante porque ainda não foram analisadas pelo Ministério Público boliviano, que ordenou a prisão a partir das investigações das primeiras oito horas após o episódio.

"Eu vi as imagens rapidamente. A análise tem de ser feita de forma cuidadosa, por peritos", disse Saboya, revelando que a possibilidade de liberação ainda é remota.

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, de São Paulo avalia que ainda é cedo para iniciar uma investigação em território brasileiro. "O crime foi cometido lá, e por isso temos de aguardar uma comunicação formal do Ministério Público da Bolívia para iniciar qualquer ação", explica a diretora Elizabeth Ferreira Sato.

O professor de Processo Penal da USP, Maurício Zanoide de Moraes, explica que, se o culpado estiver realmente no Brasil, dificilmente ele será extraditado. Vai responder ao processo aqui.

"As investigações podem ser conduzidas na Bolívia, mas o acusado vai responder ao processo no Brasil." Os tratados entre Brasil e Bolívia apontam que condenados podem cumprir pena em seu país de origem.

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