Correr não é jogar

Nas primeiras horas da manhã de ontem, o técnico Felipão explicou uma das razões de sua saída do Palmeiras. Disse que uma parte dos jogadores não escutava mais suas ordens e afirmou: "Agora eles não têm mais o escudo". Ao mesmo tempo, na concentração do Palmeiras, o discurso era parecido, sobre a obrigação de correr mais do que corriam, para tirar do rebaixamento: "Agora não tem o Felipão. É conosco!"

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2012 | 03h02

Quem ouviu declarações dos jogadores viu sangue nos olhos. Foi o que prevaleceu nos primeiros 20 minutos de partida no Pacaembu. O Palmeiras correu muito. Faltou pensar.

Quando, aos 19 minutos, Douglas dominou na meia lua do campo de ataque, não se afobou. Levantou a cabeça e deixou Romarinho na cara de Bruno. Maurício Ramos travou, mas Juninho, o que mais sente a ameaça do rebaixamento, entregou no pé de Romarinho.

A falta de capacidade também ficou evidente no segundo gol, um toca, toca, toca sem sair do lugar, concluído com um toque de João Vítor no pé do adversário, que armou o contra-ataque.

O Corinthians, diferente, sabe o que faz. Bola no chão, sem pressa, sem angústia. Sem forçar, roubou no ataque as bolas dos dois gols da vitória.

Já são 17 anos, ou dez partidas, sem vencer o Corinthians no Pacaembu. Que bom se o problema fosse só esse.

Mesmo com bons momentos após ter dez homens, o Palmeiras dá demonstrações de intranquilidade. Por isso ou por absoluta incapacidade, comete erros de organização. Barcos briga sozinho com os zagueiros, Valdivia arrisca chutes quando deveria passar, tenta passes quando deveria chutar.

Impossível dizer que os jogadores se entregaram. Eles correram. Mas correr não é sinônimo de jogar.

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