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Antero Greco
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Corrida alvinegra

O Grêmio ameaçou entrar na roda e deu freada forte; por respeito à história tricolor e pelos pontos ainda a disputar (33) não pode ser considerado carta totalmente fora do baralho. Mas o Brasileiro de 2015 emboca a reta decisiva com a corrida pelo título polarizada entre Corinthians (57) e Atlético-MG (52). Os dois alvinegros mantêm ritmo forte e, à medida que o torneio avança, deixam os demais concorrentes a comerem poeira.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2015 | 02h02

Ambos tiveram vitórias com autoridade num domingo de temperaturas altas no País. Desempenho de quem não está para brincadeiras - como demonstraram os 2 a 0 do Corinthians no Santos e os 4 a 1 do Galo sobre o Flamengo. Um pouco de choro no clássico santista e viola rubro-negra no duelo disputado em BH.

O calor esteve desesperador pela manhã no Itaquerão. Portanto, prejudicial para os dois lados. Com uma diferença: desde o começo a rapaziada de Tite mandou o recado de que não admitiria ser embromada como na Copa do Brasil, em que o Santos se deu bem nos confrontos na Vila e em São Paulo.

E o fez como manda o figurino, ao tomar a iniciativa do controle da partida. Para tanto, anulou o meio-campo santista, deixou Ricardo Oliveira isolado e partiu para cima. Incomodou Vanderlei o quanto pôde, enquanto Cássio fez uma mísera (embora bonita) defesa. Tem cabimento um time que pôs na cabeça o objetivo de terminar o torneio ao menos em quarto lugar criar só uma situação de perigo? Não tem.

Como não fizeram sentido as reclamações por causa do pênalti no primeiro gol de Jadson. A arbitragem foi perfeita ao marcar a falta de Zeca sobre Vágner Love; o lateral deu um rapa, rasteira, rodo, tranco, chinela - use o termo que preferir - no centroavante, na hora em que concluiria a jogada, a meio metro da cara de Vanderlei.

A reclamação santista, que beira o amadorismo constrangedor, foi a de que o bandeirinha alertou o juiz Flávio Guerra, que teria mandado o lance prosseguir. Mas essa é uma das funções do árbitro assistente! Avisar o árbitro central de que cometia erro. Trata-se de trabalho de equipe, previsto pela Fifa e etc e tal. Chata barbeiragem dessa para quem está lá dentro.

Mesmo assim, houve uma mancada técnica, uma barbeiragem brava: Flávio expulsou David Braz supostamente por considerá-lo o autor da falta. Na súmula, escrita depois do jogo e com tempo para analisar o que aconteceu, colocou que o zagueiro levou vermelho por reclamação. Muito bem, a ressalva dá uma corrigida de rumo, mas não alivia a pisada de bola, pois Zeca deveria, na hipótese mais suave, ter tomado o cartão amarelo pelo pênalti.

Lamentação santista desnecessária, com um quê de oportunismo, já que se tenta criar polêmica em qualquer episódio em jogos do Corinthians, na tentativa de reforçar a tese do "campeonato comprado", conveniente para escamotear incompetências generalizadas. O segundo gol, também de Jadson, consolidou a superioridade de quem tem claro o caminho para colocar a mão na taça. Ainda falta.

Não só há estrada a percorrer, como existe o Galo para fazer sombra. O time apático dos 4 a 0 para o Santos no meio da semana transformou-se em tropa vibrante no Independência. Balançou um pouco no primeiro tempo, quando o Fla empatou, mas foi para o intervalo em vantagem e aumentou a diferença no segundo tempo sem nenhum mas, porém, contudo, todavia, entretanto. Jogou muito, e passou ao torcedor a esperança de que ainda pode dar o bote fatal nas rodadas finais.

Tricolor insosso. Na vaivém de exibições inconstantes, era a vez de o São Paulo jogar bem, depois do empate com a Chapecoense (0 a 0), em casa, no meio da semana. Engano. O mistão escalado por Juan Carlos Osorio para enfrentar o Avaí em Florianópolis decepcionou, com futebol sem graça, desconjuntado, inspiração zero. Mereceu perder por 2 a 1 (e foi pouco). A opção, dizem é a Copa do Brasil. Vamos aguardar...

 

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