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Reginaldo Leme
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Corrida ao pôr do sol

Se fosse uma corrida em horário normal, não se poderia esperar muito dos "Felipes" brasileiros neste GP do Bahrein. A pista mais quente do ano (acima de 50 graus no meio da tarde) não ajuda os carros da Williams e, principalmente, os da Sauber em relação à temperatura dos pneus traseiros. São eles que sofrem maior carga e, portanto, se degradam mais facilmente aqui, na pista de asfalto liso e de baixa aderência. Mas, como a largada é às seis da tarde e a temperatura do asfalto vai caindo rapidamente quando anoitece, Massa pode dar sequência ao seu melhor início de temporada nos últimos cinco anos - chegou em quarto, sexto e quinto nas três primeiras corridas.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2015 | 02h02

Os três resultados não são diferentes daqueles de 2013, mas a diferença é que agora Massa está em posição melhor no campeonato. Com o quarto lugar (30 pontos), ele está à frente de Kimi Raikkonen (24). Por outro lado, é indiscutível que a Ferrari é a segunda força da F-1, logo atrás da Mercedes.

Sebastian Vettel está em lua de mel com a equipe italiana. Presente no pódio nas três primeiras corridas, inclusive com uma vitória, ele anda empolgado com o momento que vive a Ferrari em relação à pobre campanha do ano passado - quarta colocada no Mundial de 2014, atrás de Mercedes, Williams e Red Bull, graças apenas à extraordinária constância de resultados de Alonso, que pontuou em 17 das 19 provas, inclusive com dois pódios.

O calor da Malásia foi fundamental para Vettel vencer. E aqui no Bahrein, quando treina à luz do sol, o carro da Ferrari, de fato, chega a assustar a Mercedes. Quando cai a noite, lá vêm as Flechas de Prata quebrando recordes e deixando todo mundo para trás. Mas nem tão pra trás como no começo da temporada. O comentário que mais surpreende pelos boxes e paddock da F-1 é que o motor Ferrari já alcançou o nível de potência dos Mercedes, e a equipe promete uma nova versão melhorada no GP da Espanha.

Voltando ao início de temporada dos brasileiros, Felipe Nasr também faz um começo de temporada muito interessante. Mesmo considerando-se a pontuação antiga, na qual apenas os seis primeiros pontuavam, Emerson somou três pontos nas três primeiras (um quarto lugar na Alemanha em sua segunda corrida). Nasr, no regulamento antigo, teria somado dois, mesma pontuação de Ayrton Senna, enquanto Piquet e Barrichello ficaram no zero nas três primeiras provas. Apenas Nasr e Emerson completaram os três primeiros GPs.

É importante levar em conta que naquela época os testes eram permitidos. Jacques Villeneuve, vindo da Indy, treinou 20 mil quilômetros em quatro meses antes de estrear, chegando em segundo na Austrália.

Lewis Hamilton nunca foi tão líder e tão favorito. Dono da pole position nas três primeiras etapas, só não venceu uma delas graças à esperteza estratégica da Ferrari.

Tem o melhor carro do momento e o companheiro Nico Rosberg que, no ano passado, chegou a ameaçá-lo e até manteve a liderança durante boa parte do campeonato, em 2015 parece derrotado antes mesmo de começarem as corridas.

Na última, ele reclamou muito de uma atitude de Hamilton, que diminuiu o ritmo em plena reta e permitiu que Vettel se aproximasse de Rosberg, levando o alemão a gastar mais pneu do que o normal. Mas Hamilton, que desfila pelo paddock mais luxuoso da F-1 com duas correntes de ouro tão largas que chegam a ofuscar seus enormes brincos de diamante, parece bem mais preocupado em se desculpar com o público feminino, que considerou um desrespeito jogar champanha no rosto de uma das moças no pódio da China, do que com a cara fechada de Rosberg.

Até o Times, jornal inglês, chamou Hamilton de "hooligan". Jenson Button, que já dividiu a McLaren com Hamilton, aconselhou Rosberg a não fazer essas reclamações públicas, pois elas só dão mais força a Hamilton, o tipo de pessoa que gosta de polêmica.

A Mercedes quer viver em paz, mas neste ano está tendo de apagar incêndios internos muito mais cedo do que no ano passado.

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