Werther Santana|Estadão
Corrida de rua atrai cada vez mais praticantes Werther Santana|Estadão

Corrida de rua atrai cada vez mais praticantes Werther Santana|Estadão

Corrida ganha as ruas do Brasil e atrai cada vez mais adeptos. Escolha a sua

Especialistas indicam que atividade física ajuda a combater o sedentarismo e serve até como terapia para os praticantes: 320 provas foram selecionadas. O mercado atrai adeptos cada vez mais

Andreza Galdeano e Paulo Favero , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Corrida de rua atrai cada vez mais praticantes Werther Santana|Estadão

Você já deve ter se deparado nos fins de semana com eventos de corrida de rua em algum canto da cidade, seja ela qual for. Ou então já encontrou atletas profissionais ou amadores praticando o esporte em parques, praças públicas ou mesmo em avenidas específicas. Essa atividade física ganha a cada ano mais adeptos e atrai pessoas de todas as idades e qualquer porte físico. Estima-se que existam entre 5 milhões e 11 milhões de corredores de rua no Brasil, número que varia de acordo com especialistas ouvidos pela reportagem.

Pensando nisso, o Estadão preparou uma ferramenta para cada tipo de corredor. São mais de 320 corridas de ruas selecionadas entre os principais eventos do País. Elas estão espalhadas pelo Brasil, mas existem algumas tradicionais de outros países também. O corredor entra na ferramenta e escolhe a data que ele gostaria de participar, de quantos quilômetros e em qual cidade. O resultado indicará as opções.

No relatório "Práticas de Esporte e Atividade Física", da Pnad 2015, realizado em parceria com o Ministério do Esporte, 24,6% dos brasileiros afirmaram praticar corrida e caminhada com alguma frequência. "Sabemos que é um número superestimado, pois às vezes não é atividade física, é locomoção apenas. Nessa mesma pesquisa, 40% dos brasileiros são sedentários. Por isso queremos colocar as pessoas em movimento, transformando a vida delas por meio do esporte", diz Guilherme Accursio, gerente de marketing e conteúdo da Norte MKT.

São muitos motivos que levam uma pessoa a praticar corrida de rua. Pode ser por questão de saúde, de estética, para superar limites ou até para começar uma transformação na vida. O primeiro passo com o tênis no pé já inicia a mudança, que só ocorrerá com persistência. "É uma terapia, pois melhora a qualidade de vida. É o remedinho", afirma Nelson Evêncio, de 49 anos, que corre há 25.

Ele já foi presidente da Associação de Treinadores de Corrida de Rua de São Paulo e agora tem uma assessoria esportiva que treina corredores. Já fez muitas pesquisas sobre o tamanho desse mercado, que garante crescer a cada ano, mas relata que é muito complicado conseguir dados de todos os Estados brasileiros.

Um grupo está puxando esse crescimento de corredores no País, é o das mulheres. "Eu treino muitas mulheres, vejo que o mercado feminino cresce cada vez mais. Nos EUA as mulheres já são maioria nas corridas de rua, mas aqui no Brasil ainda não. Em um ano ou dois, elas serão maioria", acredita Evêncio. "A minha equipe tem 81% de mulheres."

Na pesquisa "The State of Running 2019", que reuniu mais de 70 mil eventos entre 1986 a 2018, a constatação é a mesma. "Pela primeira vez na história existem mais mulheres corredoras do que homens. Em 2018, 50,24% eram mulheres", apontou o estudo, que se aprofundou mais em países da Europa, Ásia e nos Estados Unidos. Outra constatação é que a idade média dos praticantes está mais velha, em torno de 39,3 (2018) contra 35,2 (1986). O Brasil ainda é incapaz de mostrar esses números.

São muitos os argumentos que contribuem para o crescimento do mercado de corridas. O principal é que, para correr, você não precisa alugar um espaço, pois pode fazer onde quiser, na rua, numa praça, em um parque. Também não necessita de um adversário, ou seja, pode fazer sozinho. "O lado de entretenimento é muito forte também. É um dos poucos esportes que se pode particar conversando. Por isso muita gente faz amizade e networking quando corre", explica Evêncio.

Segundo Thadeus Kassabian, diretor da Yescom, o atletismo é o segundo esporte do Brasil. "As grandes capitais têm, pelo menos, três provas por fim de semana, o que movimenta produtos, serviços, vestuário, saúde, turismo e infraestrutura", diz. Na percepção dele, existe espaço para a prática de corrida de rua continuar crescendo. "Porém tem de acontecer em novos espaços, com atividades complementares. Deve também sair das datas de fim de semana, ocorrendo durante a semana, de noite, como já acontece em vários países", diz.

Eliane Verderio, CEO da Iguana Sports, concorda com seu colega. "O Brasil é um mercado de corrida ainda jovem, se comparado aos mercados mais maduros, como o norte-americano. A consciência da necessidade em praticar atividades físicas ainda é pequena em nosso País. É necessário transformar o mindset para começar a mudança para hábitos mais saudáveis, antes mesmo do médico pedir ou do nível de estresse ou obesidade chegar a um nível de risco. Outro fator deste potencial é que grande parte dos atletas só começa a praticar corrida após os 30 anos, enquanto em outros países, o esporte é incentivado desde a adolescência nas escolas", afirma.

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Especialista dá dicas para iniciantes e até corredores de longa data

Avaliações antes dos treinamentos e assessoria esportiva são algumas das indicações

Andreza Galdeano, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2020 | 18h20

O preparador físico Douglas de Melo, diretor técnico da Top Notch Training assessoria esportiva, de 51 anos, trabalha com corridas há 20 anos. Antes disso, treinava atletas de alto rendimento. Para ele, especificamente a corrida de rua se torna interessante por dar liberdade aos atletas, mesmo aqueles que ainda estão dando seus primeiros passos nas provas. Essa prática que agrega um número cada vez maior de pessoas ocorre todos os dias em diversos horários e locais diferentes, geralmente ao ar livre.

Para quem pretende ingressar no universo das corridas de rua, Douglas indica avaliações antes dos treinamentos. "Para quem vai começar a correr, é necessário passar por uma avaliação médica antes. Eu sempre peço uma avaliação cardiológica. Não precisa ser um exame muito detalhado, mas precisamos avaliar primeiro o coração porque a pessoa, quando vai treinar, estará em esforço sempre, então precisamos ver como o coração se comporta com o esforço. Sendo liberada pelo médico conseguimos começar com os trabalhos", explica o também diretor técnico da Top Notch Training.

Ele ainda reforça que em alguns casos a corrida só ocorre após um período de preparação. "O que acontece muito é que o atleta, o aluno iniciante, quer correr. Mas em determinados casos a gente não consegue fazer isso de cara e precisa fazer uma adaptação muscular, um trabalho de fortalecimento, além de trabalho técnico para economia de energia e movimento. Essa adequação de músculo, coração e pulmão é que pré-determinam o treinamento esportivo", diz

Então depois de uma avaliação em pista vai ser determinado o tipo de treino para cada pessoa, se começa com caminhada, correndo ou treinamento intercalado. "Tudo isso para que ele consiga correr e treinar sem desanimar. É muito comum você ver o atleta ir para o parque, correr por 15 minutos e ficar cansado. Aí ele vai mais umas quatro vezes e desiste. Então se ele progredir de uma forma segura, a gente consegue manter esse aluno por um bom tempo", afirma.

Outra dica importante é procurar uma assessoria esportiva (como são chamados os grupos de treinamento de corrida de rua) ou um profissional de educação física. "Ele pode ajudar a montar e adequar os treinamentos dentro dessas necessidades e possibilidades que o atleta tem. Depois disso, alguns testes de pista são feitos para determinar ritmo e velocidade de treino, além de uma avaliação física e ortopédica, ou com fisioterapeuta, para ver se existe alguma lesão ou necessidade especial. Tudo isso para conseguir iniciar o treinamento", conta.

"Passando por essa fase e começando a treinar, o importante é pelo menos se manter em atividade três vezes por semana durante oito semanas para que a pessoa comece a ver benefícios e transformações. A partir desse período de dois meses a gente já consegue inverter o papel e o aluno passa a entender que o treino faz efeito e tem essa margem de segurança. Ele já estará equilibrado, com musculatura fortalecida e consegue correr um pouco mais. Depois é só desenvolver a corrida", lembra Douglas.

O especialista também tem dicas para quem já corre e pretende melhorar o seu desempenho. Douglas diz que o ideal é modificar os treinamentos de acordo com o objetivo que pretende alcançar. "É preciso ver que tipo de prova ele quer fazer, se é uma prova mais longa, se ele quer correr mais rápido... Temos variáveis de treinamentos, de alta intensidade, trabalho com subidas, que o atleta pode colocar durante a periodização do treinamento. Isso fará com que ele aumente sua força e melhore sua capacidade fisiológica. Com isso ele consegue melhora de ritmo ou correr um pouco mais longe", diz.

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ANÁLISE: 'O mundo da corrida é fascinante e muito democrático. Tem espaço para todos'

Jornalista destaca os desafios dos iniciantes e reforça o prazer de fazer uma atividade física com regularidade

Sílvia Herrera, Blog Corrida Para Todos

24 de janeiro de 2020 | 18h30

O Estadão convidou Sílvia Herrera, jornalista e autora do blog Corrida Para Todos, para escrever um texto sobre sua relação de longa data com a corrida de rua. Nele, a profissional destaca os desafios que costumam pegar os atletas de primeira viagem, mas também reforça o prazer de fazer uma atividade física com regularidade.

No começo fui resistente. Só a ideia de acordar cedo em um domingo de manhã me dava calafrios. Correr de quê?, refletia. Pace, hidratação, gel de carbo, RP, cabedal, entressola, ergoespirométrico -, essas palavras soavam como grego pra mim.

Um dia resolvi aceitar o convite dos amigos para correr. Como sempre fiz esporte, balé, natação, achei que correr 3 km no Parque do Ibirapuera seria mole.

Acordei cedo num sabadão ensolarado, experimentei uma “bomba” - um suco verde horrível com pó de guaraná - e bora para o Ibira. De cara me apelidaram de “patinha”. Quem já viu um pato correndo consegue visualizar a cena.

Tiveram a maior paciência comigo na minha estreia nos 3 mil metros - a volta interna no lago. Fiquei torcendo para o tênis desamarrar, pra poder dar uma paradinha, sem dar recibo que estava cansada… nada. O jeito era dar o melhor de mim e torcer para aquela volta interminável acabar. Corrigiram minha respiração, meus braços, até a posição dos pés. Os dez primeiros minutos foram horríveis, depois foi melhorando e comecei a suar muito. Consegui!! Em seguida, meu prêmio: um coco verde gelado. De lá pra cá nunca mais parei. E isso foi em março de 1990!

No começo gostava de correr descalça nas praias. Depois entrava em todas as maratonas de revezamento. Em seguida veio a obsessão pelas provas de 10 km - durante dois anos corria uma delas a cada domingo, mesmo depois de festa de casamento. Treinava de segunda a sábado, e ainda fazia musculação duas vezes por semana, mais mil abdominais por dia, e pedalava. Meu recorde pessoal, o tal do RP, é dessa fase - 50 minutos na Sargento Gonzaguinha de 2002.

Já perdi as contas de quantas provas de 5 km, 10 km e 21 km já fiz. São Silvestre foram três e maratona foi uma. A de São Paulo, em 2005. Quebrei no KM 33, mil metros depois de ter aceitado uma bendita mexerica. Azedou tudo por dentro. E foi um amigo que me encontrou sentada, dentro do túnel debaixo da Marginal Pinheiros, que me fez recuperar as forças com dois géis de carbo, sabor chocolate. Tirei forças nem sei de onde para completar a prova em 5 horas e 27 minutos. Um tempo pavoroso, mas que pra mim teve sabor de vitória. Você tem seis horas para completar uma maratona ou é desclassificado. Emagreci cinco quilos durante essa corrida. No final, tudo doía, descobri músculos que nem sabia que tinha. Meus erros foram largar bem forte e não fazer pré-hidratação. Graças a Deus minha irmã me esperava na chegada. Meses depois engravidei. Troquei as corridas pela natação nesse período. Depois voltei a correr, inclusive com meu bebê no carrinho - fizemos três provas juntos.

O mundo da corrida é fascinante e muito democrático. Tem espaço para todo mundo. Para quem quer ganhar saúde ou para quem quer bater recordes e ganhar troféus, ou viajar o mundo correndo maratonas majors, ou apenas se divertir. A corrida é para todos. Basta apenas começar. Ninguém ensina uma criança a correr. Ela sai correndo de braços abertos, língua pra fora, toda feliz. Os adultos é que complicam.

Dicas para começar a correr

  1. Se costuma ir anualmente ao médico e sabe que está com a saúde em dia, comece com caminhadas - ritmo acelerado - durante 10 minutos no quarteirão de sua casa ou na esteira do condomínio com o tênis que você já tem e roupas leves - três vezes por semana. Um mês depois compre um tênis com amortecimento, indicado para corridas. Há modelos bons a partir de R$ 250. Se não vai ao médico há anos, marque uma consulta e faça um check up primeiro e peça um atestado para começar a praticar esporte. Se seu médico já te alertou a começar a se mexer, bora lá!
  2. Durante um mês comece a caminhar e correr - no seu ritmo. Ande cinco minutos, corra um minuto, e vá intercalando, até dar 20 minutos.
  3. Se inscreva numa caminhada de 2 km, dessas beneficentes ou conceito (tipo Cartoon, Disney, Chapolin, Longevidade), ou as do Sesc, chame os amigos e a família. A primeira corrida é inesquecível. Posta no Instagram sua evolução, os amigos vão dar aquela força!
  4. Faça hidratação sempre. Os nutricionistas recomendam 2 litros de água por dia. E se alimente antes de ir caminhar. Nada de fazer atividade física em jejum.
  5. Gostou da caminhada de 2 km? Se sim, procure uma assessoria esportiva de corrida perto de sua caso ou trabalho - tem para todos os bolsos. Confira nas praças e parques, os treinos costumam ser entre 6h30 e 9h30, ou entre 19h30 e 21h, nos dias de semana. Ou na Cidade Universitária nas manhãs dos sábados - entre 6h30 e 10h. As mais famosas são MPR (camiseta amarela), Run&Fun (camiseta verde limão), Nelson Evêncio (camiseta azul), Adriano Barros (camiseta rosa) e 4Any1 (camiseta branca). Há também treinos gratuitos nos parques municipais. Bons treinos!
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