Corrupção na Fifa ofusca o sorteio

Joseph Blatter tentou em vão se ater a dados sobre a escolha dos grupos das Eliminatórias, sábado, no Rio, mas escândalos foram assunto predominante

Almir Leite e Sílvio Barsetti / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2011 | 00h00

Esclarecimentos sobre denúncias de corrupção que envolvem diretamente a Fifa há alguns meses pontuaram a entrevista do presidente da entidade, Joseph Blatter, concedida ontem à tarde na Marina da Glória. Em pouco mais de uma hora, o dirigente não disfarçou o constrangimento em alguns momentos e passou quase todo o tempo tentando se explicar sobre acusações recentes à cúpula da Fifa.

Nem mesmo o primeiro grande evento da Copa do Mundo de 2014, o sorteio dos grupos das Eliminatórias do Mundial, programado para sábado, na Marina da Glória, foi capaz de mudar a agenda da direção da Fifa. Todo o esforço de Blatter de se ater a dados sobre o evento foi em vão durante a conferência de imprensa.

Ao ser questionado sobre o banimento da Fifa do ex-presidente da Confederação Asiática de Futebol Bin Hammam, acusado de comprar votos para a última eleição à presidência da entidade, Blatter disse que não se sentia confortável para comentar decisão do Comitê de Ética da Fifa.

Hammam concorreria com Blatter, em junho, mas decidiu abrir mão de participar do pleito e facilitou a reeleição do suíço.

Ele disse ainda que a entidade discute a criação de um novo órgão que ficaria encarregado de investigações sobre denúncias de corrupção, desvinculado da secretaria-geral da Fifa. "O mundo do futebol é uma família. A Fifa não é lugar de ditadores", declarou, num recado velado a Hammam, que considerou uma medida ditatorial sua exclusão de atividades ligadas ao futebol.

Blatter se incomodou também com uma pergunta do jornalista inglês Bryan Swanson, da Sky Sports, a respeito de um comentário que teria sido feito ontem pelo ex-jogador alemão Rummenigge, atual presidente da Associação de Clubes Europeus. "Rummenigge disse hoje (ontem) que ninguém acredita naquilo que o senhor diz. O que tem a dizer sobre isso?"

Blatter se ajeitou na cadeira, demorou a responder e por fim retrucou. "Volte a falar com ele para saber se foi exatamente isso que falou." Pouco antes, Diana Brajterman, da agência alemã DPA, quis saber a posição da Fifa sobre denúncias de que federações caribenhas estavam envolvidas em outro esquema de corrupção. Não obteve resposta.

DENÚNCIAS

No início de maio seis integrantes do Comitê Executivo da Fifa, incluindo o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, foram acusados de pedir propina em troca de votos para a escolha da sede dos Mundiais de 2018 e 2022.

O presidente da Confederação Asiática de Futebol, Bin Hammam, dias depois, é acusado de tentativa de suborno para se eleger presidente da Fifa. Depois, ele disse que Joseph Blatter não se opôs à tentativa de compra de votos de seleções do Caribe.

Bin Hammam foi banido da Fifa no último sábado.

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