Costa Rica, a intrusa divertida de Copa arretada

Não tenho a mínima ideia do bicho que vai dar na final. Talvez a seleção nem esteja no Maracanã, no dia 13 de julho, e a festa fique para gringos. Certo até agora é que o Mundial anda animadíssimo dentro de campo e dois aspectos chamam atenção: a Fonte Nova virou palco de goleadas memoráveis e a Costa Rica já leva o título de convidada atrevida, derrubadora de mitos e titãs.

Antero Greco

21 de junho de 2014 | 02h00

A Copa encontrou acolhida especial em Salvador. Os orixás gostam de futebol, se divertem. Pode reparar: no estádio baiano não há joguinho morno, sem graça. Nada disso: lá as disputas são arretadas, animadas, as redes vão furar de tanto gol.

Primeiro, a Holanda sapecou 5 a 1 na Espanha. Depois, a Alemanha lascou 4 a 0 em Portugal. A farra, ontem, foi da França, com 5 a 2 na Suíça - só não fechou a conta em 6 porque o danado do juiz assoprou o apito enquanto a bola chutada por Benzema viajava, de novo certeira, para a meta suíça. Isso não se faz, senhor árbitro!

Brincadeira à parte, por coincidência da tabela, três das seleções mais bem estruturadas se apresentaram na Bahia. Holandeses, alemães e franceses não ganharam por acaso por tamanha diferença. Fizeram por merecer, seja pela maneira como se comportam, seja pelos vacilos dos adversários.

O trio estará nas oitavas, com direito a projeção otimista e nada presunçosa. A Alemanha é realidade desde 2010, no torneio realizado na África do Sul. A Holanda passou por transformação, mas não se despreza o fato de ser a atual vice-campeã. A França mudou sob o comando de Didier Deschamps e parece robusta, mesmo sem a presença de Ribèry.

Cada uma tem jogadores de referência - Muller, Van Persie, Benzema só para citar alguns. A força, porém, vem do conjunto, do repertório de jogadas, das válvulas de escape durante as partidas. Características que faltaram ao Brasil, tanto nos 3 a 1 sobre a Croácia como no 0 a 0 com o México.

Não sou leviano de cravar que cheguem à decisão ou que levem o título. (Alemanha e França podem encontrar-se nas quartas de final.) Nem significa que a seleção virou carta fora do baralho. A história e a prudência mostram que Mundiais com frequência pregam peças em favoritos. A Espanha aqui está, até o início da semana, para provar isso. Também não invalida o elogio para essas europeias que cumprem trajetória digna.

A propósito de aprontar: a Costa Rica ignorou o currículo de Uruguai e Itália. Passou pelos dois e, por tabela, eliminou a Inglaterra, com quem faz amistoso de luxo na última rodada. Uma das representantes menos glamourosas da Concacaf, azarão numa chave de campeões do mundo, se impôs, jogou com autoridade, ganhou por 1 a 0 ontem, em Recife (e ainda teve um pênalti negado) e dá mais alegria à Copa. Se vacilarem, chega às quartas. Agora, italianos e uruguaios fazem duelo em que apenas um sobrará. Quem imaginaria?!

Como está fica? A seleção faz coletivo hoje na Granja. A expectativa é a de que Felipão mexa no time. Tomara.

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