Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Craque do futevôlei diz: 'Nunca achei que poderia viver disso'

Natalia Guitler hoje é considerada uma das melhores do mundo na modalidade que busca maior abrangência internacional

Andreza Galdeano, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2020 | 10h00

Graças à sua habilidade com a bola nos pés e a paixão pelas praias do Rio de Janeiro, Natalia Guitler encontrou no futevôlei a motivação que precisava para escolher a sua profissão. Ex-jogadora de tênis, ela chegou a trocar as quadras pela sala de aula ao se formar em administração, mas foi no esporte que ganhou os holofotes e se tornou referência mundial. Hoje, é considerada uma das melhores do mundo na modalidade que busca maior abrangência internacional.

"Eu conheci o esporte quando eu era atleta de tênis profissional. Naquela época, aos 19 anos, estava passando um período treinando tênis na Argentina e fui apresentada ao futevôlei pelo meu irmão, numa das vindas ao Brasil", conta Natalia. "Ele me convenceu dizendo eu iria gostar por ser um esporte de praia e similar ao futebol. Não deu outra: foi amor a primeira vista!", complementa a jogadora de 33 anos.

Quando parou de jogar tênis profissionalmente, em 2010, Natália já morava no Rio de Janeiro. Para ela, a cidade se tornou um motivo extra de incentivo para se dedicar ao futevôlei, uma modalidade que não está no programa olímpico, mas tem muitos praticantes principalmente nas praias brasileiras. Foi treinando na Barra da Tijuca que a atleta ganhou fama e chamou a atenção de grandes nomes do futebol, como Neymar e Ronaldinho Gaúcho.

"Eu nunca achei que o futevôlei poderia virar um esporte em que hoje eu fosse viver só disso. Mas quando eu coloquei isso na minha cabeça, queria fazer daquilo uma profissão. Eu vivo dos projetos em cima do esporte, porque a modalidade ainda está em crescimento. Hoje faz parte do meu dia a dia, do meu trabalho. Amo treinar e competir. Eu decidi viver do esporte e optei pelo futevôlei em primeiro lugar. É algo marcante e representativo na vida", explica Natália, que conquistou o título de Rainha da Praia com vitórias sobre atletas brasileiras e estrangeiras na última temporada. Além de participar de todas as etapas mundiais em Brasília, Barcelona, Eilat (Israel) e Rio de Janeiro.

"O reconhecimento é muito gratificante. Os jogadores sempre respeitaram muito a modalidade e acabaram virando meus amigos, são sensacionais. Sempre que possível, jogo com craques do futebol. A relação é importante porque eles também nos incentivam constantemente. É uma honra ter atenção e reconhecimento deles", complementa.

Além da afinidade com grandes astros, Natalia faz parceria com Bianca Hiemer há 10 anos. "Ela é uma irmã que eu não tive. Nos damos muito bem fora e dentro das quadras, sempre estamos ajustando os horários para ficarmos próximas de alguma forma. A gente alinha, conversa, treina... Sem dúvida, é uma relação muito produtiva, com grandes conquistas, momentos e viagens."

Natalia ainda não vê uma constância no crescimento do futevôlei no Brasil e acredita que a modalidade precisa de mais organização. Em sua avaliação, o calendário deveria ser maior e o espaço para as mulheres ainda é pequeno. "Temos mais homens praticantes do que mulheres em alto nível. É um esporte que ainda deve crescer nos próximos anos", diz.

"A World Footvolley vem ajudando nesse profissionalismo fazendo um trabalho bem dinâmico, mostrando um lado mais conceitual do esporte. É um trabalho importante para o próprio atleta saber o padrão que ele precisa estar. Para ter uma mudança na percepção de todos, precisamos mostrar o esporte de uma forma estruturada para gerar novas oportunidades. Sem dúvida a WF está mudando o padrão desse profissionalismo. WF Tour teve televisão e organização, e isso ajuda no crescimento como um todo. Sem dúvidas outras marcas devem se basear muito no que foi feito até agora. Um se inspira no outro e se cria um ambiente com mais profissionalismo", conta a jogadora.

"Joguei as quatro etapas da World FootVolley. A visibilidade na TV também foi ótima para a modalidade. É importante mostrar a existência de profissionalismo no futevôlei".

Para que ainda está dando os primeiros passos na carreira, Natalia ainda reforça que o treino é a base para se tornar profissional. "É preciso ter uma meta, um direcionamento, se dedicar... Em um primeiro momento, não tentar viver só disso, mas se organizar para competir e viajar. Em algum momento vai dar para viver somente do esporte se focar nesse planejamento."

PANDEMIA

Questionada sobre as mudanças durante a pandemia do novo coronavírus, a atleta conta que ficou sem CT e precisou se reinventar em casa. "Fiz treinos corporais, trabalhos com a bola e muitos desafios para ficar ativa. Voltei a treinar mais forte há poucas semanas", diz Natalia. "Com a flexibilização do isolamento, consegui voltar a jogar de forma segura, com todas as prevenções necessárias. Frequento as praias somente para fazer as atividades físicas permitidas na orla e também voltei a treinar no clube que já abriu, por exemplo", revela.

Agora, a ideia é esperar tudo voltar ao normal para matar a saudade das competições. "O que mais eu curto fazer é viajar para os eventos, campeonatos, poder compartilhar esses momentos com outras pessoas. Os planos de viajar foram por água abaixo, mas sem dúvidas alguns deles serão remarcados. Não poderia correr riscos. Acredito que tudo voltará a ser como antes em breve".

Três perguntas para Luiz Gomes, fundador da World Footvolley

Quais são os planos para o futevôlei ter maior abrangência mundial?

Que o futevôlei é atrativo não há dúvidas, mas então o que falta para que o esporte seja mais popular e ganhe credibilidade no meio corporativo? A resposta dessa pergunta faz parte de todas as pautas de reunião. Na World Footvolley buscamos em cada iniciativa apresentar a modalidade de forma atrativa, consistente e sempre visando um aumento no apelo comercial. Nossa visão tem como base a construção de uma marca que possa legitimar o esporte e por meio de seus principais ídolos atingir novos consumidores, principalmente fora do Brasil, onde o esporte ainda não é tão conhecido.

E para a modalidade se tornar olímpica?

Trabalhamos com os recursos que fazem parte da realidade atual do esporte, atletas e eventos. Visando num momento oportuno buscar apoio de organizações como COI. Para que um esporte se torne olímpico, primeiramente ele precisa estar estruturado por meio de uma Federação nacional em pelo menos 40 países. Posso afirmar que o futevôlei está ou já se fez presente em mais de 40 países, porém a gestão administrativa de uma Federação é um tema que precisa ser muito bem avaliado antes de ser considerado elegível. Por ora mantemos como prioridade o que está sob nosso controle, gerando credibilidade para que o esporte possa ganhar visibilidade em outros países e assim alimentamos sua cadeia de valor para uma eventual evolução administrativa.

A pandemia atrapalhou algum plano para 2020?

Por mais que as circunstâncias não sejam favoráveis à maioria dos segmentos do mercado, ela nos serviu muito bem. Precisávamos de tempo para aprimorar o que já havia sido implementado e retomar o projeto de forma mais ordenada. Além do apoio dos principais atletas, promotores e parceiros comerciais, nosso trabalho conseguiu atrair a atenção de investidores que entenderam claramente onde queremos chegar e habilitaram além da continuidade de nossa jornada o fortalecimento de nossa equipe com profissionais altamente capacitados. As ideias para o período pós-pandemia são muitas, mas temos como prioridade finalizar a série WF Stars, que mostra tudo o que rolou na última temporada, apoiar cada vez mais os principais atletas e lançar nosso calendário de 2021 em conjunto a única etapa que planejamos realizar ainda esse ano no Brasil.

Tudo o que sabemos sobre:
Rio de Janeiro [cidade RJ]

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.