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Craques e craques

O que define um craque é a quantidade de jogadores necessária para detê-lo. Por este critério, Neymar é um craque indiscutível. Ele nunca estará sozinho em campo, terá sempre a companhia de dois ou mais adversários tentando lhe tirar a bola. Mas a definição de craque pode ser dita de outra forma: craque, craque mesmo, é o jogador que tem sempre dois ou mais marcadores para detê-lo - e não o detém.

Luis Fernando Verissimo, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2014 | 02h03

Neymar não tem passado nesse teste, nesta Copa. A não ser contra Camarões, que tinha a desculpa de ser Camarões, ele não tem conseguido se livrar do séquito inimigo. Muitas vezes, no segundo tempo do jogo contra o Chile, me vi contando o número de jogadores de camiseta amarela em campo, porque a impressão era que vários deles tinham desistido do jogo e ido para o vestiário, onde estava mais fresco. E um dos desaparecidos era exatamente o Neymar. Que ele é craque todo o mundo sabe. Contra a Colômbia, Neymar terá mais uma oportunidade de provar que é craque mesmo.

Nas notas baixas que todo o time mereceu depois do jogo com o Chile - com exceção do Julio Cesar, que desagravou não só a si mesmo, mas a seu homônimo romano e voltou à vida depois de abatido -, acho que fizeram uma injustiça com o Hulk. Ele merecia pelo menos um sete e meio. Foi o melhor do Brasil, depois do imperador, e apareceu nas duas áreas, ajudando na defesa e sendo o nosso atacante mais perigoso. E continua o mistério do sumidouro no meio-campo brasileiro. A troca de inhos - o Paulinho pelo Fernandinho - não deu certo. Ramires e Willian foram vistos pela última vez fazendo sinais frenéticos para serem salvos da areia movediça, mas, no fim, também foram engolidos. O problema da seleção não é técnico nem tático, é geológico. O chão está se abrindo aos pés dos jogadores. Ninguém consegue ficar de pé no nosso meio-campo!

Vendo o México dar um susto na poderosa Holanda, ontem, pensei: o que falta ao Brasil, além de um meio-campo estável, é esse atrevimento mexicano. Essa confiança, mesmo diante de réplicas de Thor, como são os holandeses, que podiam vencê-los. Confiança, convencimento, até um pouco de arrogância - é o que nos falta. E, claro, um Neymar disposto a calar a boca de seus críticos.

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