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Craques não têm mais identidade com o torcedor

Antigos ídolos analisam desinteresse do público com o time de Dunga

Bruno Lousada e Hilton Mattos, O Estadao de S.Paulo

14 de setembro de 2008 | 00h00

A frieza do torcedor com a seleção brasileira, medida pelo pouco público presente ao Engenhão na quarta-feira, põe em xeque a geração comandada por Dunga. No empate por 0 a 0 com a Bolívia, apenas 31 mil espectadores deram o ar da graça - e assim mesmo porque na manhã do jogo houve farta distribuição de ingressos nas cercanias do estádio. Craques que marcaram época vestindo a camisa amarela falaram ao Estado sobre esse distanciamento entre a equipe pentacampeã mundial e o povo. Dentre os motivos apontados estão a falta de comprometimento, de atitude e de concentração dos badalados e milionários atletas. Inimigo político declarado de Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o ex-jogador Sócrates perdeu as esperanças na ética e no comprometimento da atual geração. Para o ídolo da Fiel corintiana, o futebol virou um balcão de negócios. "O esquema é vender jogadores. Se o atleta entra num esquema no qual só dinheiro interessa, que comprometimento ele vai ter? Ele entra para ganhar dinheiro também", diz Sócrates. Com a experiência de quem atuou numa época áurea do futebol brasileiro, Jairzinho, o Furacão da Copa de 70, é taxativo: falta patriotismo aos milionários jogadores da atual equipe. "Eles não vivem o que o Brasil vive. Boa parte do povo é sofrido, passa fome, mas os atletas não lidam com essa realidade." Por isso, se fosse treinador da seleção, o ex-atacante seria radical: não convocaria quem não tivesse identificação com a população. "Falta credibilidade. Onde já se viu um jogo do Brasil com um estádio tão vazio como aconteceu no Engenhão? Lamentável", diz, referindo-se ao jogo contra a Bolívia. Júnior, ex-lateral do Flamengo e da seleção brasileira - e atualmente comentarista do SporTV -, elogia a atual geração. Mas adverte: falta regularidade. No seu entendimento, quando o adversário neutraliza as jogadas do Brasil, os principais atletas - aqueles de quem se espera maior poder de decisão - decepcionam. "Eles são bons jogadores, mas, juntos, não mostraram regularidade. No dia em que a coisa não dá certo, tem de ter uma mudança. E isso não acontece", observa.Segundo Júnior, o único jogador que realmente que tem personalidade na seleção é Kaká. "Ele é o único que resolve. Vivemos uma ?Kakadependência?." Maior ídolo da história do Flamengo, Zico crê que o problema está na concentração. Ao tecer uma análise como técnico de futebol, ele identifica que os jogadores rendem mais sob pressão. "Contra o Chile, eles entraram ligados porque era um jogo de risco. Aí veio a Bolívia, acharam que seria fácil e deu no que deu", diz. "Se no lugar da Bolívia fosse o Paraguai, o comportamento seria diferente. Estariam focados."

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