Cremesp investiga médico brasileiro citado em suposto esquema de doping

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) abriu sindicância para apurar denúncia de envolvimento de um médico brasileiro em esquema de doping de atletas. Um documentário da ARD, rede de TV alemã, exibido no último dia 10, acusa o médico Júlio César Alves, de Piracicaba, interior de São Paulo, de tratar atletas de nível internacional usando métodos que seriam proibidos pela lei antidoping. Ele teria tratado o jogador Roberto Carlos, campeão mundial com a seleção brasileira de futebol em 2002 - em nota, o atleta negou e repudiou as acusações.

José Maria Tomazela, Estadao Conteudo

13 de junho de 2017 | 16h06


O Cremesp informou que a sindicância aberta para apurar o caso citado pela reportagem tramita em sigilo processual. Em média, uma sindicância do Conselho demora entre seis meses e dois anos para ser concluída. O Cremesp informou ainda, em resposta a pedido da reportagem, que o médico Júlio César recebeu uma pena pública - Pena C (Censura Pública) - referente à infração a nove artigos do Código de Ética Médica, em 2011, também relacionada com o doping de atletas. Na ocasião, Júlio César teria defendido publicamente a adoção de práticas não convencionais ou ilícitas para tornar os atletas mais competitivos.


Especialista em medicina ortomolecular, o médico Júlio César é dono da clínica médica Hilarotes, em Piracicaba, um centro de medicina avançada, procurado por atletas de todo o País. Na segunda-feira (12), ele atendia um conhecido atleta da natação. Formado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Alves figura em listas que destacam os médicos mais conceituados da cidade. Desde a segunda-feira (12), ele foi procurado pela reportagem, mas não retornou as ligações.


Em 2013, em entrevista a um canal de esportes, Alves afirmou que o doping sempre existiu e que seria "hipocrisia" não admitir isso. Ele se referiu na entrevista à pena de advertência pública que recebeu em 2011 do Cremesp, alegando que foi em decorrência de suas declarações sobre o doping no esporte. "Deram uma pena de censura pública em órgão oficial. Eu, com 25 anos de profissão, 58 de idade, fui apenado sem ter denúncia de paciente e nenhum ilícito médico, só pelas minhas declarações", afirmou, na ocasião.

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