Crise cresce e agora até Blatter vai ser investigado

Manobra do opositor Bin Hammam faz entidade levar o próprio presidente ao Comitê de Ética e[br]pôr eleição em sob risco

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2011 | 00h00

A Fifa decidiu abrir investigação contra seu próprio presidente, Joseph Blatter, e está mergulhada em uma crise institucional sem precedentes. Patrocinadores da entidade, como a Adidas, alertam que os escândalos começam a afetar os negócios, enquanto políticos pedem o cancelamento das eleições presidenciais, marcadas para quinta-feira.

A ação contra Blatter é inédita e uma resposta de seu único rival nas urnas, Mohamed Bin Hammam. O árabe foi acusado de ter pago subornos a cartolas em troca de votos e foi convocado para audiência com o Comitê de Ética da Fifa, amanhã. Se condenado, seria excluído das eleições de quarta-feira.

Mas, em vez de negar, o árabe confirmou ter feito os pagamentos. Para se defender, apresentou provas de que Blatter também sabia da propina e não as denunciou. Portanto, seria cúmplice.

Os escândalos ganham dimensão inusitada e escancaram o que jornais europeus já chamam de "a falência completa"" da administração do futebol mundial.

O que era uma crise de credibilidade acabou crescendo, a ponto de ameaçar a eleição na Fifa. Amanhã, Blatter será ouvido pela comissão de ética que ele mesmo criou - também paga salários de seus membros. Terá de provar que não sabia que seu rival pagava subornos.

O que ninguém sabe responder é o que ocorreria se ambos fossem condenados. Ontem, políticos europeus voltaram a insistir que está na hora de cancelar a eleição e rever todo o processo.

Patrocinadores que pagam milhões para ter seus nomes associados à Fifa já temem prejuízos. "O tom negativo do debate público não é bom nem para o futebol nem para a Fifa e seus parceiros"", afirmou a Adidas, que produz as bolas dos Mundiais.

Os escândalos ocorrem no momento de maior lucro nos 107 anos da Fifa e, para muitos, isso explicaria a disputa de poder sem precedentes na entidade. Nesta semana, a Fifa anunciará lucros de US$ 620 milhões (cerca de R$ 991,4 milhões) no ano, um recorde.

Conspiração. Bin Hammam denunciou ontem o que acredita ser "evidências de uma conspiração"". Segundo ele, a Fifa deu apenas 48 horas para apresentar sua defesa. Ele confirma que fez os pagamentos para as viagens dos mais de 30 cartolas para uma ilha caribenha e que prometeu US$ 2 milhões para o "desenvolvimento do futebol"". "Mas ninguém nunca escondeu isso"", disse.

"Qualquer alegação sobre a tentativa de comprar votos é falsa. Isso é uma tentativa de evitar que eu seja candidato. O Comitê de Ética está sendo manipulado"", acusou.

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