Crise de identidade marca 1ª decisão

Enquanto o organizado Corinthians parte para cima na busca de vantagem para o segundo jogo, o ousado Santos se vangloria da evolução de sua defesa

Bruno Deiro e Fábio Hecico, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2011 | 00h00

Um tem como principal característica a força do conjunto e o poder defensivo. O outro se notabiliza por seu futebol envolvente, alegre e de muitos gols. Hoje, às 16 horas, no Pacaembu, o competitivo Corinthians recebe o encantador Santos com papéis invertidos no primeiro jogo da decisão do Campeonato Paulista.

Os "donos" da casa reconhecem que têm a obrigação de partir ao ataque, enquanto os visitantes jogam para comprovar o bom momento de sua defesa, vazada apenas duas vezes em oito jogo sob o comando de Muricy Ramalho. Em resumo, os dois rivais querem a mesma coisa: chegar ao segundo jogo da decisão, no próximo domingo, na Vila Belmiro, mais tranquilo.

"Temos de fazer uma grande vantagem no primeiro jogo para levar a decisão para lá bem encaminhada. O Santos tem jogadores rápidos, leves, precisamos conquistar uma boa vantagem porque na Vila pode complicar um pouco", diz o meia-atacante Jorge Henrique, que nas últimas rodadas teve uma queda de rendimento por estar atuando um pouco mais recuado, na meia e até como lateral. Hoje, porém, ele ganhará mais liberdade quando o time estiver com a posse de bola. Tudo para repetir sua estrela em duelos decisivos.

Na Copa do Brasil de 2009, Jorge Henrique anotou quatro gols, todos importantes, como os dois da decisão diante do Internacional (um em cada partida) e ao abrir o marcador diante do Fluminense no jogo de volta das quartas de final (2 a 2).

Brilhar na final significa para ele amolecer um pouco o coração da diretoria, que ficou assustada com sua pedida de R$ 300 mil de salários para renovação do contrato, quase 100% de aumento. Por isso, sua saída não está descartada. Jorge Henrique está nos planos do Cruzeiro, que não esconde de ninguém que procura por atacantes e armadores para o Campeonato Brasileiro.

Autor de dois gols no primeiro turno, o lateral-esquerdo Fábio Santos segue a linha de que uma vantagem, mesmo que de apenas 1 a 0, é importante. "Para irmos mais tranquilos para a Vila. O Palmeiras ganhou do Santos lá, o Corinthians ganhou em 2009, mas vamos nos concentrar primeiro nesse jogo."

Defesa forte. O Santos não sofreu gols nos quatro jogos em que esteve sob a batuta de Muricy no Paulista. "Tenho uma facilidade de me adaptar aos times", diz o técnico, há um mês no clube. Segundo o goleiro Rafael, a preocupação defensiva foi a principal contribuição do treinador. "O que mudou é que nosso time tem mais responsabilidade sem a bola. Antes, com a bola, a equipe resolvia. Sem ela não marcava muito e tomava gols. Agora temos uma postura melhor, com todo mundo marcando. Temos responsabilidade com a bola e sem a bola", diz. "Domingo vai jogar como tem jogado. Sem a bola vamos pegar e com a bola vamos para cima deles."

Muricy fortaleceu a dupla de zaga, formada pelos contestados Durval e Edu Dracena, ao recuar Arouca. O volante, no entanto, sente dores musculares e é o principal mistério para o clássico do Pacaembu, em que o Santos entrará com força máxima. Único brasileiro na Taça Libertadores, o time da Vila tenta driblar o cansaço para fazer bonito nas duas competições.

CORINTHIANS - Júlio César, Chicão, Castán, Moacir, Ralf, Fábio Santos, Paulinho, Bruno César, Willian (Dentinho), Jorge Henrique e Liedson. Técnico: Tite.

SANTOS - Rafael, Edu Dracena, Durval, Jonathan, Léo, Adriano, Danilo, Elano, Ganso, Neymar e Zé Eduardo. Técnico: Muricy Ramalho.

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